Inodoro, insípido e incolor


O último debate dos presidenciáveis exibido na TV foi marcado por uma tensão generalizada. Nenhum dos candidatos se saiu verdadeiramente bem. Todos estavam incomodados com a ausência do líder das pesquisas, Jair Bolsonaro, do PSL, que concedeu entrevista exclusiva à outra emissora quase no mesmo horário, a artir de sua residência.
No intervalo do primeiro bloco do debate, as equipes das campanhas passaram o briefing do que ocorreu na entrevista e, na primeira oportunidade, os candidatos de esquerda uníssonos acusaram Bolsonaro de ter fugido ao debate. Marina Silva, da Rede, afirmou que o capitão “amarelou”,reafirmado por Ciro Gomes do DT, e Guilherme Boulos, do Psol. Aliás, o coleguismo foi encenado durante todo o debate.
Mesmo assim, Fernando Haddad, do PT, a novidade nessa fase pré-eleição, tornou-se alvo dos opositores. Desconfortável no papel de emissário do presidiário Lula, Haddad não escondeu sua irritação com a condução de sua equipe de campanha. Sem nenhum fair play, abusou da tática petista de vociferar e mentir, repetindo as boatarias que circulam nas mídias sociais. Pífios argumentos para um professor universitário. Os oponentes, igualmente desconfortáveis com o formato engessado do debate, nada acrescentaram. Não foi elucidativo para o eleitor, cuja responsabilidade é escolher quem vai presidir o país pelos próximos quatro anos.
O único a elevar o tom foi Álvaro Dias, do Podemos, que diferente do debate anterior em que permaneceu apático, avançou para cima de Haddad com argumentos acusatórios, típicos da safra de políticos de sua geração. Diz-se até que estaria turbinado por ter ingerido álcool antes da apresentação. Atacou o PT pelo protagonismo nas operações Lava-jato e Mensalão, não poupou Haddad e nem mesmo Henrique Meirelles, do MDB, que ocupou cargos de ministro de Lula e Temer. Haddad não escondeu sua irritação. Foi o guerreiro da noite.
Esperava-se mais de Geraldo Alckmin, do PSDB. O tucano estava visivelmente abatido, talvez pelo abandono do partido à sua candidatura, em especial de Fernando Henrique Cardoso que apresentou carta de apoio ao seu nome no apagar das luzes do primeiro turno. FHC não escondeu nem mesmo seu flerte com o “uspiano” Haddad há tempos.
Ciro Gomes do PDT, identificado sempre pelos discursos provocativos, estava mais contido. Marina Silva não se destacou, a não ser por ter acusado Bolsonaro por amarelar.
No fim Bolsonaro venceu. Conseguiu imprimir uma conduta menos inflamada nas respostas a todas as questões mais polêmicas da entrevista. O mico da noite sobrou para William Bonner, que se equivocou mais de uma vez durante o debate ao vivo.

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