23 de maio de 2022
Colunistas Ligia Cruz

Hoje é o dia dela!

A bandeira brasileira faz 130 anos. Sua história é muito interessante e recheada de polêmicas.
A versão atual foi definida em 19 de novembro de 1889, logo após a Proclamação da República e o fim do Brasil Império.
Aquilo que a gente aprende na escola, no ensino fundamental, que as cores representam o verde das nossas matas, o amarelo de nossas riquezas, o azul de nosso céu e o branco de nossas estrelas, não condiz com a verdade.
A explicação simplista é uma forma de dar apenas uma visão mais lúdica a uma história um pouco mais densa. Na verdade, a nossa bandeira é uma evolução  natural do passado desde quando o Brasil ainda era uma unidade territorial do Império português.
A primeira versão surgiu somente após a independência, em 1822, e já integrava o  retângulo verde com o losango amarelo, só que com o brasão de armas do príncipe no centro,  projeto idealizado por Jean-Baptiste Debret, a pedido de D.João VI.

As cores não eram aleatórias. O verde e o branco representavam as cores da Casa de Bragança, da família real portuguesa de origem de D. Pedro I, o primeiro imperador do Brasil.

O amarelo ou ouro, representava a Casa de Habsburgo, de onde descendia a Imperatriz Leopoldina.  Mas há controvérsias entre diversos historiadores sobre isso.

Com a Proclamação da República, em novembro de 1889, o brasão foi retirado e o círculo azul incluído, com o céu estrelado visto do Rio de Janeiro, naquele mês e ano.
A faixa branca com as palavras “Ordem e Progresso” foi inspirada no lema do movimento  positivista de Augusto Comte (O amor por princípio e a ordem por base), pelos idealizadores do projeto, Raimundo Teixeira Mendes, Miguel Lemos, Manoel Pereira Reis e Décio Villares.

Para resumir as idas e vindas de toda a discussão havida desde então, as medidas dos elementos meticulosamente aferidas, bem como as constelações de tamanhos e desenhos desproporcionais, têm levado a acaloradas discussões. Vértices, ângulos, módulos.
Perfeições métricas e imprecisões astronômicas. A coisa toda é tão complicada que recentemente até o Inmetro entrou  em campo para estabelecer padrões devido à diversidade de bandeiras existentes,  usadas até mesmo em eventos oficiais, nacionais e internacionais.

Durante toda a trajetória de 130 anos de nossa bandeira e nossa República, brasileiros buscam a perfeição de um modelo de democracia e justiça social.
O símbolo nacional é tão encantador que até mesmo Rui Barbosa, nos idos tempos, arriscou sua versão – que sobreviveu por apenas quatro dias.
É de se imaginar o que o movimento republicano representou de avanços na conquista de uma pátria independente. Quiçá, daqui para frente, o símbolo augusto da paz  nos traga a esperança de melhores dias e gente patriota.
Jornalista, editora e assessora de imprensa. Especializada em transporte, logística e administração de crises na comunicação.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.