16 de agosto de 2022
Ligia Cruz

E o Rio segue o seu calvário


O que mais falta acontecer? Por acaso existe construção regular nos morros do Rio? Quantas?
Os dois prédios que ruíram hoje com pessoas dentro foram construídos em área de proteção ambiental, onde não deveria haver edificação alguma. E cerca de mais nove prédios serão interditados e demolidos pela prefeitura.Obras feitas sem princípios de engenharia, fiscalização e liberação para ocupação. E as pessoas se submetem por colocarem as vantagens financeiras acima da segurança.
Encostas vulneráveis, gerações de prefeitos corruptos, achacadores, bandidos e munícipes dispostos a arriscar suas vidas para ter onde morar são os ingredientes dessa tragédia. As pessoas são corresponsáveis de suas próprias desgraças.
Não é de hoje o poder paralelo das milícias em toda a cidade. Não se intimidam e nem se apiedam. Ninguém os enfrenta. O que importa é azeitar a fábrica de pagantes de uma verdadeira cesta de produtos. Tudo é oferecido, de energia elétrica a TV a cabo. Todo mundo sabe.
E o brasileiro pega no tranco, com vidas improvisadas e a mercê de enganadores de variados naipes.
Como meter o pé na porta de milicianos, se estes têm relações promíscuas junto a políticos, órgãos públicos e várias instâncias do poder público.
O prefeito Marcelo Crivella não sabia onde estava se metendo, subestimou os desafios e tornou-se o saco de pancadas de todo esse quadro.
Até as chuvas são culpa dele. O fato é que onde falta governo e não há lei sobra espaço para transgredir.

Jornalista, editora e assessora de imprensa. Especializada em transporte, logística e administração de crises na comunicação.

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