8 de agosto de 2022
Colunistas Ligia Cruz

Covidão

E segue em frente o comboio do covidão.

Imagem: www.marcoangeli.com.br

Na falta das Festas juninas neste ano os folguedos ficam por conta dos políticos – os principais atores do país -, sem sombra de dúvidas. E nós todos na plateia com nariz de bolinha.
Só alguém muito miserável de caráter é capaz de engendrar esquema de superfaturamento na compra de respiradores e construção de infraestrutura de atendimento às vítimas de COVID-19. Esses equipamentos são necessários para fazer o paciente que está no último estágio da doença respirar. A última chance de sobrevida.
Médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas e demais profissionais, que fazem tudo funcionar numa operação logística sem igual, já ultrapassaram todos os limites de dedicação durante esta pandemia. De outro lado, indústrias unem esforços, segregando parte de suas linhas de produção para a fabricar respiradores e viseiras a um custo inferior aos importados do mercado formal, mas não menos eficazes.
Tão logo o governo anunciou o montante de R$ 100 bilhões para dar suporte aos estados no combate à pandemia, em todas as suas frentes, a luzinha da turminha do mal acendeu. A oportunidade esperada de abocanhar uma cota, em ano eleitoral minguado. Os doentes que se danem.
O astuto filhote do faraó Jader Barbalho, o Helder, governador do Pará, caiu de boca no mel e fez uma lambança geral. Faltou babador para ele e sua trupe quando a Polícia Federal chegou de supetão em sua casa e nas de assessores. O moço jurou de pés juntos que não fez nada de errado, só que o salão já estava encerado para a festa. Seu secretário de saúde foi pego com R$ 748 mil em casa, dentro de uma caixa térmica. Obviedade.
Agora é um tal de “não sabia”, “vou apurar”, “se provar eu demito”, “estou chocado” e mais um quinhão de desculpas. O que se passa na cabeça dessa gente?
O governo do Pará comprou 152 respiradores, em caráter emergencial e portanto sem licitação, para guarnecer a rede hospitalar durante a pandemia, no valor de R$ 50,4 milhões. Só que os aparelhos são inadequados para o que propõem e foram superfaturados. Não servem para nada.
Enquanto um diz que não sabia, o outro se faz de enganado.
E o dinheiro público foi gasto em uma operação fraudulenta, que arranha a lisura do governador e de seus assessores. Tudo isso com gente morrendo de hipoxia.
Do lado da imprensa, editor pauta o deputado José Guimarães – ele mesmo, o Zé cueca, réu do mensalão – para repercutir o fato. É brincadeira?
Não é, aconteceu!
Com cara de coitadão e reserva moral, ele simulou indignação.
Além dele, a mega celebridade do mensalão, o ex-deputado Roberto Jefferson, ri de escárnio.
O “covidão” vai passar, corra pra pegar.
Enquanto isso o povão aperta o cinto para comer o que é doado através de mobilização social.

Jornalista, editora e assessora de imprensa. Especializada em transporte, logística e administração de crises na comunicação.

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