1° de Maio: Servidores do Povo

Da mamação ao trabalho para a Nação. Tem aqueles que não foram escolhidos diretamente por seus empregadores que pagam a conta – salários, adicionais, mordomias, banquetes com comida e bebida de rei – é a esbórnia com o dinheiro público.

São eles os “indicados”! No STF…


Salários altíssimos e mordomias nababescas, entre lagosta e copeiros. Todos nomeados para prestar serviço ao povo. Mas na prática, prestam serviço a uma parte do povo: àqueles que os beneficiaram com o cargo que ocupam.

Alexandre de Moraes foi o ministro do Supremo que suspendeu a nomeação de Ramagem para a chefia da PF, pela “amizade” do mesmo com o presidente.

Nunca ouvi dizer que nomeia-se inimigos. E é PRERROGATIVA do Presidente da República esta nomeação.

O que o indicado do Temer se esqueceu foi de convocar os ministros do Supremo para juntos caírem fora do STF.

Afinal de contas, todos são de “confiança” e foram colocados a dedo no perfil “amigo de todas as horas” pelos presidentes anteriores.

Tal critério passou a valer no governo FHC, pelas mãos do próprio e tem nome simples: aparelhamento! É a nomeação pelo critério pessoal e da conveniência.

O “magnânimo” FHC, diga-se de passagem conhecido por dormir, roncar em solenidades e dar em cima de jornalistas, apelidado de Fernando II, o Vaidoso-preguiçoso, passou ileso nas investigações de outro trabalhador do povo, Sérgio Moro, que em tempos passados, quando juiz à frente da Operação Lava-Jato, esqueceu de investigar o boca de godê duplo.

Ou o que será que aconteceu para o bando inteiro de tucanos passar ileso, com pequenas e rápidas incursões incomodando os netinhos do picareta Tancredo Neves, o pobretão que garantiu vantagens até na vida pessoal, casando com a rica Risoleta?

Assim, Andréa “PC do B” Neves e o grande irmão dela, amigo daquele presidente do Cruzeiro Zezé Perrela, político, cujo nome estava ligado ao HeliPÓptero apreendido com 400 quilos de cocaína, e cuja investigação não deu em nada, nem esquentaram lugar vendo o sol nascer quadrado.

Para que dar trabalho à polícia e à Justiça, não é verdade? Ainda mais com “bobagens”…

Pois eis que sai o ex-juiz Moro da pasta da Justiça, mas liberados os milhões do Aecinho que estavam retidos.

Mal saiu o fulano pato rouco e Aécio foi denunciado pela Procuradoria Geral da República pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção. As propinas atingem a bagatela de 65 milhões de Reais.

Será que agora a coisa vai?

E as pendências?

Marielle não vive, mas vamos apurar quem matou Marielle?

O presidente Jair Bolsonaro vive, não podemos matar as evidências.

Vamos apurar também quem mandou matar o então candidato do PSL. Pode ser?

No Dia do Trabalho que fique claro: nós, povo, pagamos, então, categorias pagas por nós, trabalhem porque estamos cobrando. Quem paga, manda.

O povo tem que avaliar os seus empregados!

Vamos lembrar aqui, já que pagamos a conta, de duas situações:

O então juiz Sérgio Moro, tem casa própria. Mas não abriu mão do auxílio moradia.

O capitão e parlamentar por 30 anos, Jair Bolsonaro, até hoje não quis pedir a aposentadoria que tem garantida por lei nesses dois casos, militar e deputado.

Lembrei de outro funcionário público, o meu pai, juiz, desembargador, que nunca usou carro com motorista, ia trabalhar com o carro dele e ainda pagava do próprio bolso o estacionamento próximo ao Tribunal.

Achava um absurdo onerar o povo com vantagens dessa ordem.

Os lanches que recebia no gabinete ele não permitia que visitas e familiares tocassem. “É para o servidor público”.

Ele pagava o lanche na lanchonete do Tribunal. E todos os dias ao sair do trabalho levava uma sacola e entregava aos mendigos da rua os tais lanches que meu pai guardava pra eles.

Educa-se pelo exemplo.

Um certo sábado à noite, eu ia a uma festa com uma amiga que era a filha do presidente do Tribunal de Justiça. Ela ficou de me buscar em casa.

Toca o interfone. Meu pai atende, pergunta quem é. O motorista do Tribunal o cumprimenta e meu pai pergunta: “O senhor está aqui com o carro oficial a trabalho? Ah, vai levar a filha do presidente e a minha filha para a festa? A minha filha já saiu.”

Eu ali, olhando para o meu pai com cara de tacho, perguntei: como eu vou pra festa agora? Estava tudo combinado, ia pegar uma carona. Resposta: o carro oficial é para o profissional no exercício do cargo. Vou chamar um táxi. Eu tenho um bom salário para poder pagar o táxi pra você. O povo paga e eu faço jus a ele. Mas não está incluído usar o dinheiro público para familiar meu ir se divertir em algum lugar.

Você vai de táxi e vai voltar de táxi. Não se beneficie jamais do que não cabe a você.

Assim foi.

Honra ao Mérito

Poucos meses depois, meu pai, mais uma vez ganhou o prêmio do Tribunal como melhor magistrado do ano. Me convidou para a solenidade.

Recebeu o prêmio e disse aos presentes sobre a importância de ser um funcionário do povo. Disse que não atendia pelo “apelido” comum a todos ali na Côrte de Justiça: não era Excelência ou Meritíssimo, mas era Doutor, com todas as letras, porque tinha não um, mas cinco doutorados.

E agradeceu o prêmio assim:

“o sistema de apuração adotado, mais uma vez me premia. No ano passado encerrei com zero processos. Este ano, infelizmente, restaram três. O critério talvez não fosse o mesmo se a escolha fosse feita apenas pelos senhores, sem a avaliação que inclui os resultados dos dados numéricos”.

Aliás, caro presidente, a minha filha – e olhou pra mim – está aqui hoje para aprender a importância do nosso papel nesta Côrte: fazer o melhor para garantir uma sociedade justa, para fazer a Justiça célere, para honrar a nossa toga. E ao final da cerimônia, ela não será levada em casa com carro do povo, motorista pago pelo povo. Vai a pé, de táxi ou de ônibus.

O magistrado sou eu e quando eu for embora descansar também usarei o meu próprio carro porque não estarei a serviço do Tribunal e do povo. Ainda que eu leve trabalho pra casa todos os dias.

Meu pai era um espetáculo. E sabia disso. Mas era um homem humilde, tratava todos igualmente. Com o grupo implacável de amigos juízes pressionou governadores para cumprirem critérios de antiguidade na promoção, quando os mesmos se esqueciam disso e faziam “indicações”.

E mais…

Ele recebeu várias vezes convite para aqueles “cargos” em Brasília. E não aceitou.

Aí aparece um sujeito que vira chefe de uma operação, mas jamais exaltou os demais. O trabalho é de uma equipe, nunca foi dele! Pra quem não sabe, a Operação Lava-Jato continua, e apresentando resultados.

As pessoas são o que são.

Sérgio Moro se encheu de empáfia, um sujeito sem eloquência, péssima oratória, que não teve classe para sair com elegância de um cargo máximo da Justiça.

Mais do que isso, desonra o povo, trai a Justiça covardemente prejudicando a Democracia e a legalidade do Estado de Direito quando se coloca como alguém de suma importância no cenário atual.

Saiu de cena. Não deixou a menor saudade. Mostrou ser menor do que o mínimo. Pena. Deveria saber que o pleito democrático é como a lei. Cumpra-se!

A Vida precisa Ser Trabalhada

Quando meu pai morreu, há poucos anos, a missa de Sétimo Dia foi numa Igreja enorme. Um amigo disse que estava muito emocionado e ficou na entrada da Catedral que estava lotada. E para espantar a tristeza começou a observar: viu ministros, empresários, a alta sociedade e… porteiros, ascensoristas, ex-alunos, funcionários de cartórios, funcionários da Justiça, gente de várias cidades, advogados, colegas de escola e… os mendigos. Aqueles mendigos…

Para honrar o dinheiro pago pelo povo e o compromisso firmado

Naquele momento eu estava na Maria Fumaça, de Tiradentes a São João del Rey, com a janela aberta, o vento forte no rosto e a paisagem passando, o pôr do sol, o casario, as fazendas. Ele tinha comprado os nossos tickets.

Sempre trabalhamos tanto, sempre nos empenhamos tanto. E ele marcou férias só pra nós. E eu fui para o Brasil. E disse a ele como sempre fiz, e de novo e mais uma vez, o tanto que eu me orgulhava dele, o quanto ele era importante pra mim, o quanto eu o admirava e amava. Nada ficou sem ser dito entre nós.

E eu sabia que os nossos planos para aquele dia eram um compromisso firmado.

Ah, a outra passagem: eu dei para um senhor que procurava apressado o dinheiro no bolso e o trem já anunciava a partida. Assim ele faria.

É pelo povo e para o povo. Seja povo o seu mais próximo ou o seu mais distante e desconhecido.

Sergio Moro se enterrou em vida. Meu pai, um exemplo de vida. Aos que trabalham com dedicação e fazem da mais simples atividade até a mais difícil tarefa uma profissão de fé: meus sinceros parabéns!

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