1 de julho de 2022
Veículos

Test-drive com o Renault Kwid Intense, a versão do meio

Pense em um “carro de entrada” que você pode encontrar, novo, nas lojas brasileiras, hoje. Pois é, nem é preciso puxar muito pela memória, pois, na prática, só há duas opções: o Fiat Mobi e o Renault Kwid, únicos modelos disponíveis na faixa em torno dos R$ 60 mil. E é da versão intermediária dessa segunda opção, o Kwid Intense 2022 (R$ 64.190) que trato aqui hoje.

Passei uma semana com o carrinho aqui no Rio, tal qual já havia feito em 2018, o que foi bom para poder avaliar também a evolução do carrinho. Aliás, se você quiser assistir ao vídeo que fiz com aquele primeiro carro, que na época era o topo de linha da gama (agora esse posto é do Outsider), para a TV Rebimboca, basta abrir a janela abaixo:

Voltando a 2022, o Kwid acaba de receber um belo banho de loja e ganhou uma renovação em sua dianteira. Coisas como ar-condicionado, central multimídia (com câmera de ré), controle de estabilidade, assistente de partida em rampa, luz diurna em LED e até sistema start-stop, que desliga e religa o motor automaticamente para economizar combustível em paradinhas em sinais e no trânsito e quatro air-bags são de série em todas as versões do carro.

Isso porque aquela história de “carro pelado”, a não ser, talvez, por comerciais leves para frotistas, não existe mais. Por um lado, porque ninguém mais se propõe a dirigir um carro no calorão e tendo que fazer um tremendo esforço para virar o volante só para economizar um par de milhares de reais.

Neste link, você lê um post em que falo sobre as novidades da linha 2022 do Kwid, descrevendo em detalhes os recursos e acessórios de série que diferenciam as três versões do carrinho: https://blogs.oglobo.globo.com/rebimboca/post/renault-kwid-2022-mira-no-segmento-de-cima.html

Nosso teste

A tal semana somou cerca de 300 km, rodados todos dentro do perímetro urbano, em variadas condições – e que fazem parte de minha rotina habitual. Peguei engarrafamentos chatinhos sob o sol, subi morros – como os de Santa Teresa, Alto da Boa Vista e Mundo Novo – para cortar caminho e rodei em vias expressas livres e desimpedidas, também. Com o carro vazio e com passageiros, mas com o ar condicionado ligado o tempo todo. Na soma geral, a média de consumo ficou pertinho dos bons 14 km/l. Além disso, enfrentar o trânsito urbano com um carrinho pequeno e, principalmente, estreito, me parece a coisa mais apropriada a se fazer, mesmo. Daí que a praticidade foi a tônica dessa nossa relação.

É claro que, além da parte confortável e conveniente – que inclui boa central multimídia com conectividade e um porta-malas com suficientes 290 litros de capacidade e abertura remota por botão –, houve outra nem tanto, inerente ao tal “de entrada” que acompanha esses modelos mais baratos. A principal delas é o nível de ruído. Embora o motor seja bem isolado da cabine, contando inclusive com uma grossa forração no capô e na parede corta-fogo, dirigir o Kwid implica em acompanhar sem som o funcionamento de todos os seus componentes, incluindo câmbio e, principalmente, suspensão.

Nada que vá ensurdecer alguém, claro. Mas portas e lataria finas e o plástico duro que reveste o interior do carro, aliviados para diminuir o peso, acabam funcionando propagadores de qualquer imperfeição mais pronunciada do caminho.

E há também a questão do espaço interno, que é bom no que diz respeito ao comprimento do carro, com 2,42 de entre-eixos – embora um galalau como eu não vá ficar muito confortável no banco de trás se outro galalau igual estiver ao volante –, mas que torna o carro, digamos, mais aconchegante na largura. Parte do jogo num subcompacto, claro.

No caso do motor, o som até que é bacaninha, pois ele sobe de giro rápido e animadamente. Com três cilindros e 1.0 litros, ele conta agora com até 71cv de potência e 9,8 kgfm de torque, pois ganhou 1cv com os ajustes feitos recentemente para que se enquadrasse nas novas normas de emissões. Como o Kwid pesa apenas 790 kg, sua condução é até divertida. Especialmente porque para gerenciar o motor há um câmbio manual de cinco marchas bem escalodinho e com bons engates, algo fundamental para aproveitar o que ele oferece da melhor – e mais eficiente – maneira.

No final da semana – e das contas –, concluí que, em relação àquele Kwid que dirigi em 2018, esse Intense evoluiu bastante, principalmente no que diz respeito a recursos e economia de combustível (palmas para o start-stop, que ele merece). E que, com a pouquíssima concorrência neste segmento, ele é sim uma boa opção para quem precisa enfrentar o trânsito diariamente.

Fiquei pensando que, mão fosse custar R$ 140 mil, sua nova versão elétrica, a e-Tech – que chega às lojas em agosto próximo – teria tudo para se transformar em parte comum da paisagem urbana, pois melhor que um subcompacto econômico nesse ambiente, só mesmo um subcompacto elétrico. Mas isso é só questão de tempo.

Fonte: Blog Rebimboca

Jornalista, blogueiro e motorista amador.

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