8 de agosto de 2022
Veículos

Test-drive com o Argo Drive 1.3 S-Design: intermediário no capricho

Ao longo de uma semana e mais de 400 km, entre ruas, avenidas, estradas – incluindo looooongos engarrafamentos –, avaliei este carrinho que você vê nas fotos, o Fiat Argo 1.3 Drive S-Design. Conto aqui como foi a experiência. Antes, vale contextualizar.

Até o modelo 2021, o pacote S-Design era oferecido como opcional pela Fiat para o Argo 1.0. Este ano, porém, o nome passou a batizar uma versão com motor 1.3, a Drive S-Design. Na prática, ela custa os mesmíssimos R$ 78.990 pedidos pela versão Trekking 1.3 do carro. Diferenças entre os dois?
Principalmente o estilo. Se o outro tem um pendor (ao menos, visual) pela aventura, este aqui segue mais a onda “simplicidade com sofisticação”, unindo o básico com alguns mimos muito bem-vindos.

Em termos de desenho – e claro que isso é uma questão muito ligada ao gosto de cada um –, acho o Argo bem interessante, combinando certa personalidade com equilíbrio. Ele já está há quatro anos no mercado, mas ainda não envelheceu. E, no caso desse aí, no que diz respeito ao visual, o “banho de loja” foi bem acertado. Ele inclui rodas de liga leve pintadas em tom escuro, logo e molduras em cor de cobre envelhecido e outros detalhes de acabamento em preto – um recurso que, na moda, se usa muito para trazer um ar mais classudo para roupas simples.

No interior, o mesmo tom de cores serve para destacar as linhas de painéis e tablier. A combinação dos materiais, com diferentes tonalidade e texturas, passa boa impressão e o capricho geral é fácil de se notar. Os bancos têm forração especial e são confortáveis. Simples, mas bem-feito.

Simplicidade essa que você nota na falta da regulagem de profundidade do volante (só em altura) e na ausência de um espelho retrovisor interno fotocrômico (é preciso mexer na teclinha para não se ofuscar com os faróis dos carros atrás). E não há câmera de ré nem protetor de cárter de série.

Para incrementar a versão, foram incluídos itens bacanas, como partida por botão com chave presencial, ar-condicionado eletrônico, central multimídia com sistema Uconnect e tela de 7”, computador de bordo com funções exibidas em uma tela TFT personalizável e controle elétrico dos espelhos retrovisores com “tilt-down”, que os ajusta para manobras perto do meio-fio. Além disso, há sensores de estacionamento, controles de tração, de estabilidade e assistente de partida em rampa.

Ao volante

O motor 1.3 aspirado e de oito válvulas que equipa esse Argo merece elogios. Oferece boas respostas e fôlego com seus até 109 cv de potência e 14,2 kgfm de torque e, embora não chegue a conferir um, digamos, espírito esportivo ao carro, não lhe falta disposição e torna a direção bem agradável e até divertida. Vai bem em rotações mais baixas, navegando o trânsito como se deve e, quando acelerado acima de uns 3.500 rpm, rosna satisfeito, como um cachorro quando sai de casa para passear.

O câmbio manual de cinco velocidades tem um curso um pouco mais longo do que poderia ter e faz o gênero “macio”, mas é preciso e as marchas aproveitam bem o que o motor tem a oferece, algo que pude confirmar subindo a serra de Petrópolis com um ótimo ritmo, mesmo com o carro com mais um passageiro e bagagens. Ajudou nisso, claro, um bom acerto de suspensão, que permite fazer as curvas em velocidades razoáveis e, ao mesmo tempo, filtra muito bem os defeitos da pista.

No plano e em retas, senti falta de uma sexta marcha, que permitiria viagens ainda mais econômicas e silenciosas. Falando nisso, juntando tudo (ruas, engarrafamentos longos, serras etc.), minha média com gasolina ficou em 13,5 km/litro.

E aí, Dr. Rebimboca, o S-Design vale a pena?

As versões mais caras da linha Argo usam um motor 1.8 de 139 cv e quase 20 kgfm de torque, bem mais forte – mas, também, bem mais sedento por combustível, o que faz da opção 1.3 mais racional. E, com esse pacote embarcado junto com os dizeres S-Design, o Argo Drive acaba tendo, mesmo, o melhor custo-benefício de sua linha.

Só que não está sozinho nesta condição. Como mencionei lá no começo, ele custa exatamente o mesmo que seu irmão Trekking 1.3, que também é razoavelmente bem equipado e, de quebra, um pouquinho mais alto do chão (veja aqui nossa avaliação recente dessa outra opção aqui na Rebimboca).

Daí que a escolha entre os dois vai depender mesmo do estilo do freguês. Eu preferiria o “jeitão rali” do Trekking.

Fonte: Blog Rebimboca

Jornalista, blogueiro e motorista amador.

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