Ford Taurus e a tradição dos grandes sedãs americanos


O título acima ficou até classudo, mas pensando bem, talvez não seja lá muito verdadeiro. Não que o Ford Taurus aí das fotos não seja um sedã, muito menos que não seja tão americano quanto um hambúrguer com picles.
A questão é o “grande” da frase. Tudo bem que um carro com 5,15 metros de comprimento, para os nossos padrões, é enorme. Mas se lembrarmos dos clássicos de Detroit dos anos 1950 a 1970 – incluídos aí os suntuosos Lincoln, marca pertencente à mesma Ford -, poderíamos até dizer que esse aí é um modelo acanhado.
Naqueles tempos, ele provavelmente seria definido nos EUA como um modelo médio. Mas o fato é que, hoje, o recém redesenhado (mas ainda montado sobre a mesma plataforma lançada em 2010) Taurus é o maior sedã da marca (ainda) em catálogo.

Para quem não está ligando o nome à pessoa, quer dizer, ao modelo, o Taurus já esteve entre nós, aqui no Brasil, nos anos 1990, quando chegava importado oficialmente pela Ford e alcançou um certo sucesso. Inicialmente, com unidades de sua segunda geração (abaixo). Mais tarde, a partir de 1996, por estranhos e ovalados carros da geração seguinte (mais abaixo).

Ford Taurus 1992Ford Taurus 1992 | internet – creative commons
Ford Taurus 1997Ford Taurus 1997 | internet – creative commons

Talvez por esse visual incompreendido, o Taurus deixou de ser embarcado para cá ainda na segunda metade da última década do século passado. Mas seguiu firme e – ainda por algum tempo – forte em sua terra natal, mesmo enfrentando a duríssima concorrência das montadoras japonesas e coreanas. Isso até as SUVs tomarem conta do mercado, deixando para os grandes sedãs uma pequena fatia do que originalmente abocanhavam. Empresas, órgãos públicos e, claro, motoristas com um perfil mais tradicional (mas não obrigatoriamente conservador, no sentido político da palavra) compõem a maioria de seus compradores.

Começando em U$ 27 mil (aproximadamente R$ 85 mil), pela versão SE, a mais simples, equipada com motor de seis cilindros aspirada de 215cv; e atingindo US$ 42,7 mil (aproximadamente R$ 135 mil) pedidos pela SHO a V6 turbinada de 370cv com tração integral, o carro está, em termos de preço, bem abaixo dos modelos europeus de seu porte vendidos por lá.
E, a despeito da (boa) tecnologia atualizada, com assistências eletrônicas para freios, tração e estabilidade, central multimídia multiconectável, airbags mil etc. e da mecânica igualmente moderna, conserva aquele jeitão de carro americano, com painéis internos imitando madeira, suspensão macia e ar extravagante. Ingredientes que tornam muito difícil que volte a ser importado para cá oficialmente, mas que, pelo jeito, são importantes para mantê-lo vivo em seu nicho de mercado.
Taí, se eu precisar alugar um carro para uma viagem pelos EUA, procurar um desses. Depois das grandes picapes, deve ser o veículo novo mais “roots”, mais tipicamente americano, disponível nas locadoras.

Fonte: Blog Rebimboca

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