22 de abril de 2026
Carlos Leão

Ser ou não ser careca – eis a questão!

Carecas, uni-vos. Vocês estão sendo enganados, ludibriados e lesados no mundo todo.

ilustração: istockphoto.com

Escrever sobre “calvície” sempre dá ibope porque desperta grande interesse em, pelo menos, metade dos homens da Terra que já sofrem ou sofrerão, inexoravelmente, com o problema que passou a existir logo após Adão morder a maçã.

Não, não, não! Vocês não estão entendendo. Maçã não causa calvície, mas aquela mordida tornou Adão um pecador, um simples mortal sujeito a desenvolver e passar à sua descendência essa entidade clínica que se tornou, ao longo da história , o maior trauma estético do homem de todos os tempos.

Na história antiga, Cleópatra preparava poções à base de urina da serpente Naja que se misturava com algas nativas formando um guisado que ela, toda noite, aplicava nas áreas calvas do general romano Marco Antônio, seu grande amor, numa tentativa de revitalizar seus parcos cabelos. Uma espécie caseira de Capiloton ou Loção do Vicentino de Moeda da época.

Na história contemporânea o compositor Roberto Roberti compõe a famosa marcha carnavalesca “Nós os carecas” com o arrebatador refrão “é dos carecas que elas gostam mais”. Vamos e convenhamos, mas essa afirmativa é conversa pra boi dormir, altamente suspeita e com total conflito de interesse já que o compositor era proprietário de uma lustrosa careca.

Um parênteses: confesso achar o termo “careca” um tanto pejorativo e grosseiro. Tem um ar deselegante, diria. Embora imortalizado de norte a sul pela cultura popular e não molestado, por enquanto, pela nova ordem mundial de nomenclatura de gênero, confesso que prefiro os termos “calvos e calvas” antes que o “calves” passe a predominar por exigência de idiotas, cada vez mais em ascensão nos quatro cantos do mundo.

Muito embora a grande evolução da Restauração Capilar trazida pela técnica FUE seja uma realidade, a sua situação no mundo não é das melhores. Há hoje uma invasão da especialidade sem precedentes na história da Medicina. Todo mundo quer ser “cirurgião de calvície”.

Se esse “todo mundo” se detivesse apenas a médicos, mesmo sem treinamento para a arte, seria aceitável, muito em função da legislação brasileira que permite ao graduado em Medicina, fazer o que bem entender na sua profissão. Se errar, porém, e não tendo título de especialista naquilo que se aventura, o problema é com o CFM e a Justiça.

Pra piorar, diferentes profissionais não médicos que atuam na área da saúde estão se aventurando no Transplante Capilar Estético. Muito pior ainda são as denúncias de técnicos, tatuadores e cabeleireiros estarem se juntando à “tchurma” num flagrante exercício ilegal da Medicina. E esse fenômeno é um problema mundial, by the way, que parece não preocupar muito as autoridades oficias de saúde apesar das reiteradas denúncias das Sociedades Médicas da Especialidade, mundo afora.

Restauração Capilar não é apenas colocar cabelo na cabeça dos calvos. É uma especialidade que trata os mais diferentes problemas do couro cabeludo, sejam genéticos, doenças clínicas, tumores, traumas ou queimaduras. Calvície, falhas ou falta da barba e sobrancelhas apenas fazem parte desse amplo campo de atuação de uma abrangência técnica colossal.

Longe de se caracterizar em “reserva de mercado”, a Restauração Capilar, historicamente nas mãos dos cirurgiões plásticos e dermatologistas há mais de 70 anos, é Medicina raiz, sujeita às complicações inerentes ao seu exercício, exigindo do profissional competência para tratá-las.

Cabe aqui um alerta aos calvos para terem critério na escolha do profissional. Os maus resultados e complicações irreversíveis avolumam-se nas boas Clínicas. Medicina é coisa séria e não permite aventuras sob pena de estigmas que machucam indelevelmente o corpo e a alma.

Carlos Eduardo Leão

Cirurgião Plástico em BH e Cronista do Blog do Leão

Cirurgião Plástico em BH e Cronista do Blog do Leão

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