12 de julho de 2026
Carlos Leão

Não perdemos pra Noruega. Perdemos pra nós mesmos

O problema do Brasil é quando nossos heróis nāo reconhecem a própria pátria na camisa que vestem.

Não. Nós não perdemos para a Noruega. Perdemos para nós mesmos. E vou explicar por quê.

Era para estarmos hoje diante da televisão sonhando com uma semifinal. Em vez disso, assistimos à Noruega ocupar o nosso lugar.

E, curiosamente, ela nos deu uma aula.

Não exatamente de futebol.

De pertencimento.

Os noruegueses não venceram apenas porque correram mais.

Venceram porque carregaram para o campo uma história de mais de mil anos.

Relembraram seus guerreiros vikings, celebraram seus símbolos, remaram juntos como fazem há séculos.

A torcida remou. Os jogadores remaram. Até o Parlamento remou.

Quando um povo conhece sua história, até um jogo de futebol se transforma numa declaração de identidade.

Os noruegueses levaram Haaland para os fiordes, para a história e para o coração do país.

Nós preferimos transformar nosso maior ídolo em um jogador home-office.

Eles aproximaram o herói do povo.

Nós afastamos o povo do herói.

Não é uma questão de talento. Nunca foi.

É uma questão de pertencimento.

Enquanto isso, muitos dos nossos pareciam mais preocupados com as férias interrompidas, com o corte de cabelo, com contratos de publicidade e com a próxima coleção de relógios.

Faltou o principal: compreender que vestir a camisa do Brasil não é apenas uma profissão. É um privilégio.

Mas calma.

O Brasil já fez coisas muito mais difíceis do que ganhar uma Copa.

É a terra dos Pedros, de Isabel, de Tiradentes, de Zerbini, de Pitanguy. É a terra de Pelés, Romários, Ronaldos e de tantos brasileiros que transformaram talento em legado.

Essa história continua sendo nossa.

Não há derrota eterna. Assim como não existe vitória perpétua.

Talvez esta eliminação seja exatamente o choque de realidade de que precisávamos.

Para lembrar que o Brasil nunca venceu apenas porque tinha os melhores jogadores.

Vencia porque tinha identidade. Porque tinha alegria. Porque tinha irreverência. Porque tinha coragem de ser Brasil.

O talento continua aqui. Esqueçam a Europa.

O que anda desaparecido é o orgulho de representar esta camisa.

E tenho uma convicção: não há mal que sempre dure.

Assim como um dia exorcizamos tantas derrotas, também vamos exorcizar o 7 a 1, esta melancolia que hoje nos acompanha.

Porque a história do Brasil nunca terminou.

Ela apenas está esperando que nós brasileiros voltemos a escrevê-la.

O problema do Brasil nunca foi falta de heróis. O problema é quando deixamos de reconhecê-los… ou quando nossos heróis já não reconhecem a própria pátria na camisa que vestem.

Carlos Eduardo Leão

Cirurgião Plástico em BH e Cronista do Blog do Leão

Cirurgião Plástico em BH e Cronista do Blog do Leão

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