12 de agosto de 2022
Adriano de Aquino Colunistas

Particularidades de dois personagens pop

Há algo nessas fotos que traz à tona partícularidades de dois personagens ‘pops’ das artes visuais que se tornaram modelares para os artistas da atualidade que pretendem galgar o hit parade da mídia.

As listas de fim de ano dos ’10 Mais’ qualquer coisa é mais lugar comum que peru de ceia.

Entra século sai século e essa efeméride é mais esperada que resultado de campeonato. As estrelas ‘cults’ se alinham, paginam novos looks e entram, fingindo que não estão nem aí, que não fizeram nenhum investimento de marketing, além, é claro, dos seus espantosos talentos, para serem incluídos pela enésima vez na seleção dos eleitores ‘especializados’ em ’10 Melhores’ qualquer coisa dos vários setores da arte e cultura.

Picasso, precursor de muitos avanços do modernismo nunca é lembrado como o pioneiro entre os modernos na fabricação da lenda de si próprio.

Warhol, seguidor dos passos do mestre, nesse tocante, deu uma expandida no gênero acrescentando uma certa doçura andrógina ao machismo altivo do pintor catalão, se ajoelhando ou bajulando as figuras que admirava.

Imaginem se Picasso se ajoelharia frente ao cowboy que matou o facínora?
Ao contrário, Picasso, como todo lendário obstinado, exigia para si o protagonismo principal até em campeonato de cuspe a distancia.

As fotos de David Douglas Duncan são registros irretocáveis de como se articula um protagonista para estar sempre no centro da cena.

Tudo deve parecer natural, até mesmo a cena em que Picasso ensina Gary Cooper a encenar um valentão no próximo bang bang, no melhor estilo Texas Ranger.

Faço essas conjecturas inúteis enquanto passo os olhos nas colunas sobre as celebridades em cartaz nos museus, galerias, livrarias, teatro, dança, cinema, música etc, para concluir uma bobagem à altura das lendas cults pós-modernas que instauraram novo status para os papagaios de pirata
Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

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