
O silêncio de Barack Obama, Kamala Harris e Nancy Pelosi sobre os massacres que ocorrem no Irã não é acidental. É deliberado e profundamente político. Por quê?
A revolução iraniana é nacionalista e secular em sua essência. Este movimento não se trata de reformar a República Islâmica do Irã, mas sim de acabar com ela. Os manifestantes exigem um futuro onde o Irã seja prioridade, livre do regime clerical, do xiismo político e do controle ideológico estrangeiro.
Essa visão entra em conflito direto com uma visão de mundo globalista que desconfia do nacionalismo e se sente desconfortável com Estados-nação fortes e culturalmente enraizados que insistem na soberania. Expõe o fracasso catastrófico do xiismo político.
Por décadas, os formuladores de políticas ocidentais se envolveram com esses movimentos e os legitimaram sob a ilusão de que poderiam ser moderados ou integrados. O Irã prova o contrário. Apoiar os manifestantes iranianos significaria admitir que essas políticas fortaleceram um dos regimes teocráticos mais violentos do planeta – um desastre moral e estratégico que muitos arquitetos dessas políticas se recusam a encarar.
Não se encaixa na estrutura da política identitária.
Os manifestantes iranianos não estão apelando para a linguagem ou as causas progressistas ocidentais. Eles não estão pedindo representação simbólica ou validação ideológica. Eles estão exigindo soberania, renascimento cultural, liberdade das mulheres e uma ordem política secular enraizada na identidade iraniana. Isso torna sua revolução difícil de enquadrar, usar hashtags ou explorar dentro das narrativas ativistas ocidentais.
O silêncio protege políticas passadas e presentes.
Falar abertamente sobre o Irã reabriria debates desconfortáveis sobre acordos nucleares, alívio de sanções, apaziguamento e a contínua legitimação de um regime que assassina sistematicamente seu próprio povo. O silêncio se torna um escudo – uma maneira de evitar a responsabilização por anos de erros estratégicos de julgamento.
A revolução iraniana ameaça múltiplas estruturas de poder simultaneamente.
Ela mina a ideologia jihadista ao mostrar que sociedades de maioria muçulmana podem rejeitar e rejeitam a teocracia. Ao mesmo tempo, desafia as elites globalistas ao afirmar a identidade nacional, a continuidade cultural e a independência política em detrimento do controle ideológico transnacional.
É por isso que a esquerda globalista desvia o olhar.
Não porque desconheçam o que está acontecendo, mas porque reconhecer isso destruiria muitas narrativas que construíram ao longo de décadas.

