22 de abril de 2026
Adriano de Aquino

Sa’adiyyah Adebisi Hassan

O silêncio de Barack Obama, Kamala Harris e Nancy Pelosi sobre os massacres que ocorrem no Irã não é acidental. É deliberado e profundamente político. Por quê?

A revolução iraniana é nacionalista e secular em sua essência. Este movimento não se trata de reformar a República Islâmica do Irã, mas sim de acabar com ela. Os manifestantes exigem um futuro onde o Irã seja prioridade, livre do regime clerical, do xiismo político e do controle ideológico estrangeiro.

Essa visão entra em conflito direto com uma visão de mundo globalista que desconfia do nacionalismo e se sente desconfortável com Estados-nação fortes e culturalmente enraizados que insistem na soberania. Expõe o fracasso catastrófico do xiismo político.

Por décadas, os formuladores de políticas ocidentais se envolveram com esses movimentos e os legitimaram sob a ilusão de que poderiam ser moderados ou integrados. O Irã prova o contrário. Apoiar os manifestantes iranianos significaria admitir que essas políticas fortaleceram um dos regimes teocráticos mais violentos do planeta – um desastre moral e estratégico que muitos arquitetos dessas políticas se recusam a encarar.

Não se encaixa na estrutura da política identitária.

Os manifestantes iranianos não estão apelando para a linguagem ou as causas progressistas ocidentais. Eles não estão pedindo representação simbólica ou validação ideológica. Eles estão exigindo soberania, renascimento cultural, liberdade das mulheres e uma ordem política secular enraizada na identidade iraniana. Isso torna sua revolução difícil de enquadrar, usar hashtags ou explorar dentro das narrativas ativistas ocidentais.

O silêncio protege políticas passadas e presentes.

Falar abertamente sobre o Irã reabriria debates desconfortáveis ​​sobre acordos nucleares, alívio de sanções, apaziguamento e a contínua legitimação de um regime que assassina sistematicamente seu próprio povo. O silêncio se torna um escudo – uma maneira de evitar a responsabilização por anos de erros estratégicos de julgamento.

A revolução iraniana ameaça múltiplas estruturas de poder simultaneamente.

Ela mina a ideologia jihadista ao mostrar que sociedades de maioria muçulmana podem rejeitar e rejeitam a teocracia. Ao mesmo tempo, desafia as elites globalistas ao afirmar a identidade nacional, a continuidade cultural e a independência política em detrimento do controle ideológico transnacional.

É por isso que a esquerda globalista desvia o olhar.

Não porque desconheçam o que está acontecendo, mas porque reconhecer isso destruiria muitas narrativas que construíram ao longo de décadas.

Adriano de Aquino

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

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