17 de abril de 2026
Adriano de Aquino

Contrastes entre uma Constituição várias vezes insultada e a realidade dramática do país

Dono de um boteco na Lapa, Rio de Janeiro, com registro comercial inspirado nos movimentos de grupos guerrilheiros que no século XX, no entreato das duas grandes guerras, lutavam contra ocupação estrangeira, achou que a marca lhe conferia autoridade para decretar que israelenses e norte americanos não têm autorização para entrar no ‘seu’ território nacional.

Num país onde reina a esculhambação, melar a fronteira entre o público e o privado é coisa comum.

Então, ainda que a constituição criminalize a discriminação, o proprietário achou que a lei não se aplicava a ele e colocou um quadro na calçada informando que na sua ‘república’ essa gente não é bem vinda.

A insultuosa propaganda trouxe à tona a dramática realidade de uma cultura geral hostil, retrógrada e estúpida.

O boteco, autorizado pela prefeitura que lhe concedeu alvará para atendimento ao público, lhe multou em nove mil reais.

Mas no Brasil, tudo pode piorar… e piorou. Energúmenos convictos se insurgiram contra a multa.

A escumalha social, partidária do proprietário, acha que um negócio público é como a própria casa onde só entra quem o dono convida.

Então, como afronta à ordem pública, organizaram uma vaquinha virtual e captaram 35 mil reais em apoio ao ‘cumpanheiro’.

Você acha que um país onde as fronteiras entre o público e o privado é, de alto a baixo, constantemente violada, pode dar certo?

O nível intelectual da escumalha social brazuca anti Israel/EUA é tão rastaquera que desconhece por completo que na resistência francesa contra nazis, os judeus formavam até 20% das forças de resistência, apesar de representarem apenas 1% da população.

Eles atuaram em grupos armados como a Armée Juive (Exército Judeu), a Compagnie Reiman, e na rede subterrânea Maquis.

Além disso, Ernest Hemingway e John Dos Passos, dois escritores norte americanos, foram apoiadores (partisans) do governo republicano durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939). Ambos viajaram à Espanha para apoiar a causa republicana contra as forças fascistas de Francisco Franco, colaborando inclusive no documentário pró-republicano “The Spanish Earth” (1937).

Adriano de Aquino

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

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