8 de maio de 2026
Adriano de Aquino

O papel dos ‘intelectuais’

A citação de Sowell sobre o papel dos ‘intelectuais’ no tocante às tendências do pensamento contemporâneo no âmbito da cultura geral e seus desdobramentos no ativismo social e no fisiologismo doutrinário da militância ideológica de baixíssimo coeficiente crítico/intelectual, é certeira.

Um conjunto de fatores deu origem à síndrome psíquica coletiva contra a formação da identidade Ocidental e a maneira como lidamos com a realidade e com outros povos e culturas.

Em meados do século XX, os movimentos contestatários à cultura dominante(contracultura/ vanguardas europeias (o grito do inconsciente)modernismo/ antropofagia (negação e reimplante de origens) Existencialismo (a morte de Deus e do Pai) Pós-Modernidade (fragmentação total)veio a se consolidar nas vertentes acadêmicas progressistas e se derramou como fluxo formador de uma geração ávida por solucionar suas dúvidas e incertezas, angústias existenciais e frustrações de amplo espectro através da crença de que a ‘Morte do Pai'(origem)- conceito psicológico de um processo íntimo de amadurecimento simbólico- poderia superar as adversidades da vida, pela extirpação radical dos valores e princípios basilares do Ocidente.

Poderia ser diferente? Creio que sim.

Porém, nos últimos anos, com marco bem definido na travessia para o século XXI, intelectuais nostálgicos, desprovidos de questionamentos e indagações originais e inovadoras, decidiram replicar os intelectuais do século XX que na época atuaram como “cirurgiões” da cultura, operando justamente na ferida aberta entre os impulsos individuais e as normas sociais.

Foram eles, não os replicantes da atualidade – os mediadores que deram voz à crise de identidade e à necessidade de romper com o passado.

Replicá-los, portanto, é a marca indelével da mediocridade contemporânea.

A versão reeditada do intelectual contemporâneo como “Mediador” cultural,atuando como ponte entre criação, pensamento, produção artística e a sociedade impulsionou uma onda de protestos emanados de ideias vagas de participação/inclusão e abriu um leque de ativismo social estéril, hostil e desagregador (gênero, climático,ambiental etc)que compromete a sobrevivência das democracias livres do Ocidente.
Sim!

Parte da intelectualidade dos dias atuais não é mediadora, é apenas midiática e estéril.

Suas intenções variam entre um paternalismo cretino, supostamente libertário das minorias e adesão a tese de rupturas desprovidas de significado real.

Os alvos são: destruição das bases do pensamento ocidental, obras de arte e monumentos históricos em museus e espaços públicos ao redor do mundo.

Adriano de Aquino

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

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