Circula nas redes, milhares de fotos e reels emblemáticos do poderio bélico dos narcoterroristas do Rio de Janeiro.

Para quem está sentado na frente do monitor, em bairros e municípios fluminenses, onde ainda persistem resquícios de uma sensação de tranquilidade, em condomínios protegidos por segurança privada, nos gabinetes da capital federal com forte esquema de proteção pessoal e entre “sonháticos” ativistas dos direitos humanos, a foto pode parece nada mais que uma ilustração inofensiva.
No conceito indiscutível – “uma imagem vale por mil palavras”- o que a maioria dos debatedores, comentaristas, ativistas e midiáticos que se arrogam especialistas em segurança pública, deixam, oportuna e convenientemente, de lado é que as fotos e reels como o da Japinha do CV, com indumentária e armamento semelhante ao das tropas do Bope e pronta para a guerra.
Postadas a rodo nas redes e, obviamente registrada pelos seus comparsas, é parte intrínseca de uma propaganda insidiosa que visa intimidar os moradores das favelas onde o narcoterrorismo se impõe como poder absoluto e sobretudo, seduzindo os jovens das periferias, atraindo-os para a ‘luta armada’.
Uma coisa é ver essas propagandas neutralizadas nas telas dos monitores. Outra, bem diferente,e terrivelmente ameaçadora, é conviver com o desfile diário dessas falanges armadas nas vielas das comunidades. Ter sua rotina diária cerceada pelo medo, controlada nas barricadas do comando e ter que pagar pedágio para ‘viver’ são coisas inimagináveis para mim.
Tamanha resiliência é admirável! Confesso.
É por essas e outras que só dou ouvidos e atenção aos verdadeiros e autênticos especialistas – o povo que vive sob o tacão dos narcoterroristas. São as pessoas honestas e trabalhadoras que vivem na pele, no dia a dia, o drama terrível da sobrevivência nas áreas de risco que merecem minha admiração e respeito.
São elas as verdadeiras vítimas. Não apenas da pobreza e precariedade mas também, da espoliação dos seus direitos fundamentais. Exploradas, covarde e insultuosamente, por ‘políticos, ativistas, acadêmicos, especialistas e por uma mídia cruel que usurpa as suas vozes.
A Japinha – em trajes de combate similares ao do Bope – pode ser uma ilustração inofensiva para os urbanoides protegidos nos condomínios e bairros aparentemente seguros. Mas, para o morador da favela ela representa intimidação e medo.

