8 de agosto de 2022
Adriano de Aquino

Ah! Os franceses!

Tão trans geopolitizados em assuntos mundiais e tão provincianos em assuntos domésticos.
Talvez um trauma do envolvimento de inúmeros ‘patriotas’ colaboracionistas. Inclusive, como apontam alguns estudiosos, intelectuais de esquerda, que entravam e saíam sorrateiramente, na calada da noite, pelo setor de serviço do Hotel de Paris, onde se instalava o alto comando da ocupação nazista. Isso para não lembrar os graves problemas com a política migratória oriunda de países colonizados pela França.
Para somar à campanha da politicalha brasileira que sai pelo mundo acusando o eleitor brasileiro por ter elegido um presidente de direita, soma-se uma malta de ‘turistas’ franceses militantes que se dizem revoltados com o resultado da eleição brasileira.
RFI, veículo da mídia chapa branca francesa, fez matéria destacando a repulsa dos ‘turistas militantes’ com destaque para declarações do tipo: “Não coloco os pés enquanto ele estiver no poder (…) turistas desistem de ir ao Brasil após eleição de Bolsonaro”.
É puro preconceito mesclar a figura de um presidente eleito com o povo do país. Uma nação é muito mais que isso! Os presidentes da França são em essência o povo francês ou apenas representantes de correntes ideológicas?
Se um presidente francês for o povo em sua totalidade, entendo agora a multidão de caras de babacas de uma população de hollande’s.
Outra trincheira contra o Brasil é dar espaço para brasileiro escrachar a democracia duramente conquistada pelo povo desse país. FHC não faz outra coisa.
Na mesma edição o escritor brasileiro Milton Hatoum, com quase cinquenta anos de atraso, declarou :”Tempo sombrio vai ser longo no Brasil”. Hein?
A projeção literária de tempos sombrios é bacana nos contos e discursos de um premiado para plateia de deslumbrados.
No real, é duro! É tempo que não acaba, nem depois que finda institucionalmente.
Para um autêntico, como Ferreira Gullar, que vivenciou os anos de chumbo, os ‘tempos sombrios’ transcenderam os regimes ditatoriais e se mesclaram na desfaçatez, na hipocrisia e na corrupção, como aconteceu no Brasil após a abertura política e mais precisamente nos últimos 14 anos.
Gullar, foi militante do Partido Comunista Brasileiro. Preso logo após a assinatura do Ato Institucional nº 5 (1968) e, desde então, atuou na clandestinidade. Em 1971, Gullar deixou o país. Seu retorno ao Brasil aconteceu somente em março de 1977.
De volta ao país, Gullar voltou a fazer o que sempre fez. Poetar, pensar e denunciar formas veladas de controle social. Na sua coluna no jornal Gullar constatou e revelou aos leitores que os ‘tempos sombrios” não são exclusividade de regimes militares e ditaduras declaradas.
A ‘esquerda’, no poder durante 14 anos, foi alvo de inúmeras críticas do poeta.
Hatoum, se for preso pelos soldados das ‘sombras’, poderá vivenciá-la na carne, não apenas no verbo que excita plateias e vende livros.
O pasquim Libération estampou a notícia: “eleição de Bolsonaro mostra ignorância e desinformação dos brasileiros sobre a ditadura.”
Ora, a fisionomia francesa tipo ‘hollande’ não precisa sair do país para fazer ‘turismo militante babaca’.
Faz em casa mesmo,interagindo de forma tolerante e ‘politicamente correta’ com homens bomba.

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

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