O que hoje se apresenta ao mundo como progressismo, com efeitos mais nocivos no Brasil, por conta da fabulosa indigência cultural, avidez por controle social e poder das elites artística, intelectual e econômica do pais, é um extremismo mercantil, desprovido de princípios éticos, incompetente, violento e perdulário.
Não faz muito tempo que, intelectuais de esquerda que pensavam o Brasil, eram pessoas mais preparadas e sensatas, o que fazia o debate político ser acirrado, contudo mais inteligente do que a ira insana da malta de ‘vingadores’ – milícia ‘fascista’ e punitiva, que adotou os julgamentos sumários e o arbítrio judicial como uma banalidade do dia a dia, apoiada por uma imprensa estúpida e servil com objetivo de “extirpar” de vez a direita.
A assombrosa ignorância manifestada pelos pelegos é que nem a direita extirpara de vez a esquerda e vice versa.
Na era do debate político mais frutífero, alguns famosos personagens da esquerda brasileira fizeram autocrítica pública sobre os enganos de suas posições ideológicas. Muitos repudiaram os crimes do stalinismo – Jorge Amado é um caso simbólico – e resistiram com bravura aos ataques dos radicais bolcheviques tabajaras, abrindo a porta para uma reviravolta que gerou uma fissura na hegemonia cultural da esquerda.

O pensador francês de esquerda Michel Foucault e sua critica à sociedade punitiva moderna, baseada na vigilância generalizada foi agregada ao ideário das vanguardas esquerdistas do Brasil. Naquela ocasião, o grande engano das vanguardas ou ilusão conveniente, era de que a “vigilância preventiva do ato delituoso que tem como consequência a necessidade da punição do delinquente, “inimigo da sociedade” era uma característica específica das forças de direita.
Hoje mesmo vemos com preocupação que o engano era uma cortina de fumaça.
Os pelegos da esquerda no poder adotaram de corpo e alma o inverso do paradigma Foucault do Estado/Sociedade punitivo e arbitrário de viés totalitário, como bandeira de luta.
O caso Débora e demais manifestantes do 8/01 espelham o caso Daniel Alves e a “Esquerda chave de cadeia” como comenta Rui Costa Pimenta no X:
“Daniel Alves foi acusado de estupro. Na época, a única prova que havia era a acusação da mulher. O caso visivelmente não tinha absolutamente nenhuma evidência concreta. Desde então, afirmamos que o caso deveria ser julgado cuidadosamente, garantindo ao acusado o direito à ampla defesa. No entanto, os autoritários de plantão, principalmente da esquerda, disseram que não. Que ele deveria ser condenado imediatamente e, se possível, jogado na cadeia sem julgamento e sem direito à defesa.
Ele ficou 14 meses preso e saiu pagando uma fiança de 1 milhão de reais. O debate da esquerda “chave de cadeia” girou em torno de supostos privilégios de um milionário. Mas explicamos que não era privilégio algum, e sim um direito garantido pela lei, sendo a fiança determinada pelo juiz conforme as posses do réu. Ainda assim, não concordaram e queriam que ele continuasse preso sem possibilidade de fiança.
Agora, o caso foi para a Segunda instância, e os juízes, por unanimidade, concluíram que não havia provas contra ele. Isso mostra como a política identitária levou uma parte da esquerda a uma rota totalmente equivocada. E agora? Responder ao processo em liberdade também é um direito. Se alguém não é condenado, não pode ficar preso. Agora que o tribunal decidiu que ele é inocente, quem paga pelo prejuízo? E a esquerda “chave de cadeia”, que queria mantê-lo preso mesmo sem provas?
Esse caso é um retrato de como a esquerda adotou uma política totalmente fascista. Antes, esse tipo de argumentação era típica da direita e da extrema-direita: “bandido bom é bandido morto”, “tem que botar todo mundo na cadeia”.
No fundo, é sempre uma desculpa para suprimir os direitos do cidadão diante do Estado. Ou seja, quando seus interesses são ameaçados, essa esquerda age exatamente como a direita.”

