6 de outubro de 2026
Adriano de Aquino

A “classe A” frustrada

A voz que ressoou das urnas no 1o turno impactou os delicados ouvidos dos ativistas ‘Classe A’.

O som lhes soou por demais popular, grosseiro como o refrão “a cabra vai berrar… mééé…mééé” que anima os forrós das gentes que consideram toscas, desprovidas da polidez da ‘world music’ que enche de sonoridade delicada os chics ambientes envidraçados do litoral e dos grandes centros urbanos no sudeste do país.

Como sei que a ‘Classe A’ é impermeável a auto crítica, não irá refletir sobre as razões que acirraram a disputa eleitoral e destinaram boa vantagem percentual para o candidato da oposição as bordas da decisão final.

Por isso prevejo a campanha para o segundo turno das eleições será embalada pelos que apoiam o regime ao som, gestos e trejeitos do coro de celebridades do showbiz, enaltecendo o líder que elegeram como o único e magnânimo representante político do ‘populismo refinado’.

Perguntar-se porque o ‘povão’ não adicionou a playlist cult na ‘colinha eleitoral’, não é uma preocupação da elite. Até porque a elite já tem a resposta certa para os grosseiros erros das pesquisas que previam vitória no primeiro turno para um grande contingente de candidatos governistas.

A desconexão entre a mensagem/ouvinte é sempre culpa da burrice popular. Pronto!

Baixando a bola para a quadra dos estúdios de Radio e TV, vemos editorialistas e comentaristas, linha auxiliar da elite cultural, entoarem os velhos e desgastados sermões nas suas apresentações diárias.

Uma personagem de destaque no cenário da Vênus platinada é uma senhora que usa uma fórmula fixa que aplica em seus comentários sobre política, economia ou o preço da couve nos hortifruti.

Sua formula fixa serve tanto para praguejar e incitar a comunidade internacional a reprimir em escala global as “posturas do governo de Donald Trump”, legitimamente eleito pelo povo norte americano, sem qualquer efeito residual, quanto, em escala regional, praguejar contra o resultado do primeiro turno e tentar mobilizar seus companheiros – já que o povão parece não lhe dar mínima atenção – a “construir uma coalizão contra o candidato da oposição Flavio Bolsonaro, a fim de conter seu projeto antidemocrático.”

Adriano de Aquino

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

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