25 de setembro de 2026
Vinhos

Compreendendo a denominação VDF (Vin de France)

Que o mundo em que vivemos está passando por profundas mudanças, ninguém pode negar. O clima talvez seja a maior delas, trazendo, como consequência, uma série de implicações que refletirão diretamente na maneira como vivemos, nos alimentamos, nos vestimos e tudo mais.

Governos de diversos países passaram a adotar posições mais extremistas e a impor novas leis e normas, que tendem a desestruturar o status quo já estabelecido.

Mudanças nem sempre são positivas. As que mais têm sucesso em acertar são aquelas que tentam desmontar regras muito antigas, que se tornaram verdadeiros grilhões para quem as respeita, limitando a criatividade e as oportunidades de trilhar outros caminhos.

O mundo dos vinhos, na França, passa por uma interessante transformação, com ares de rebeldia, mas que, no fundo, busca exatamente o que mencionamos no parágrafo anterior: liberdade, criatividade e qualidade.

Para o vinhateiro francês, produzir dentro de uma AOC (denominação de origem controlada) pode trazer muito status, mas também a obrigação de seguir regras estritas, com pouca margem de experimentação.

Novas castas, métodos de vinificação inovadores, rendimentos e muito mais, tudo tem que ser controlado e certificado. Por outro lado, trazia, para o consumidor final, a certeza de que uma garrafa de um grande Château, teria as mesmas características organolépticas, safra após safra (aproximadamente).

Vinhos fora destas regras recebiam a denominação “Vin de table”, genérica, e considerada de qualidade inferior.

Desde 2009, em função das regras estabelecidas pela União Europeia, a nova categoria “VDF” substitui, com vantagens, a antiga denominação genérica.

Não existem mais limitações geográficas nem castas específicas de cada região. Safras no rótulo são permitidas, assim como cortes de várias safras ou de várias regiões. Tudo isto era simplesmente proibido.

Um objetivo bem claro nesta nova categoria é atingir o mercado de jovens consumidores, considerado refratário aos grandes clássicos franceses. O alto custo é uma destas razões.

Um importante corolário desta mudança é um custo burocrático bem menor do que o exigido por uma AOC. E isto começou a atrair mais produtores. Os primeiros rótulos surgiram em 2010, a partir de pequenos produtores, pouco conhecidos, com excelente qualidade.

Em pouco tempo, vários produtores abraçaram esta ideia. Uma rápida pesquisa nos mostrou alguns importantes nomes que mudaram de lado:

– Liber Pater, localizado em Graves, utiliza castas como Castets, Tarnay-Coulant e Pardotte, todas em pé franco, anteriores a Filoxera. Custa uma pequena fortuna por conta do fator exótico;

– Château Palmer, um dos pesos-pesados da região de Margaux, elaborou um vinho com uvas de Bordeaux e do Rhône, quebrando totalmente a tradição bordalesa;

– Château Le Puy (Côtes de Bordeaux) elabora vinhos que amadurecem em barricas que viajam em navios, para replicar métodos muito antigos.

Muitas outras inovações já estão no mercado, inclusive no nosso país. Esperem por cortes entre uvas pouco comuns, vinhos laranja, espumantes por método ancestral e os pouco comuns “blanc de noirs”.

O caminho é este: chega de amarras. Degustar um vinho vai ficar ainda mais divertido.

Saúde!

CRÉDITOS: Imagem recortada do site Vin de France.

Tuty

Engenheiro, Sommelier, Barista e Queijeiro. Atualiza seus conhecimentos nos principais polos produtores do mundo. Organiza cursos, oficinas, palestras, cartas de vinho além de almoços ou jantares harmonizados.

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Engenheiro, Sommelier, Barista e Queijeiro. Atualiza seus conhecimentos nos principais polos produtores do mundo. Organiza cursos, oficinas, palestras, cartas de vinho além de almoços ou jantares harmonizados.

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