1 de outubro de 2026
Adriano de Aquino

Nas bordas do abismo

Para as elites, visto de cima, abismo é tobogã.

Para o cidadão consciente, é uma montanha íngreme que exige muita luta e determinação para escala-la e tomar o destino do país com as próprias mãos.

Ontem, as regras do ‘andar de cima’, eram entendidas de uma forma. Hoje, pela manhã, tudo pareceu diferente.

A insegurança jurídica/institucional do país não é um pesadelo. É bem pior do que isso!

É real, trágica e desastrosa quanto uma catástrofe natural. Esmaga qualquer esperança.

Até ontem, pelas regras do STF, um ministro não podia revogar ou cassar a decisão monocrática de outro ministro de forma também monocrática.

No modelo jurídico da Corte, vigora o princípio da colegialidade, o que significa que decisões individuais de um magistrado só podem ser modificadas, suspensas ou revogadas por meio dos órgãos colegiados do tribunal — ou seja, pelas Turmas ou pelo Tribunal Pleno.

O funcionamento dessa hierarquia interna e as exceções ocorrem da seguinte forma:

O rito tradicional (Colegiado) Quando um ministro profere uma decisão monocrática, a parte que se sentiu prejudicada deve apresentar um recurso chamado Agravo Interno (ou Agravo Regimental).

Esse recurso obrigatoriamente leva o caso para julgamento em uma das Turmas ou no Plenário, onde os demais ministros debaterão e votarão se mantêm ou derrubam a decisão.

Até ontem era assim!

O que de repente mudou para hoje a imprensa alardear que uma decisão monocrática de um membro da corte pode ser cancelada por decisão monocrática de outro membro da corte?

Adriano de Aquino

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

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