Musicalmente o samba pode ser envolvente — e, sem dúvida, a bateria e os cantores cumprirão sua missão de empolgar. Mas ritmo não substitui a substância. Um enredo que não apresenta contradições, nuances ou questionamentos fica estagnado na superfície. O público quer ser desafiado, surpreendido e envolvido em uma narrativa que vá além do rótulo.
Ao abraçar uma narrativa uníssona de aplauso, o enredo ignora partes relevantes da sociedade que não compartilham a mesma visão. O Carnaval é espaço de encontro — e também de tensão criativa. Ignorar discordâncias é perder a chance de dialogar, refletir e fazer arte que represente a diversidade de visões.



