11 de setembro de 2026
Professor Taciano

Martelo da chantagem

Lula 3 corta R$ 11 bilhões das emendas parlamentares

O governo Lula 3 resolveu empunhar, mais uma vez, o velho e conhecido instrumento da política brasileira: o martelo da chantagem.

Com tom explícito de pressão, Lula decidiu vetar R$ 11 bilhões reservados pelo Congresso Nacional para o pagamento de emendas parlamentares no Orçamento de 2026. A medida precisa ser formalizada até esta quarta-feira, prazo final para a sanção do texto orçamentário, e já provoca forte repercussão nos bastidores de Brasília.

O corte não ocorre em um vácuo político. Pelo contrário, acontece em um momento delicado para o governo, que tenta recompor a relação com o Congresso Nacional, especialmente com os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP).

A movimentação política teve início ainda em dezembro e mira claramente a construção de um ambiente mais favorável para o ano eleitoral, o que torna o veto ainda mais simbólico, e controverso.

Emendas parlamentares, goste-se ou não, são hoje uma das principais ferramentas para deputados e senadores levarem recursos às suas bases eleitorais. Cortá-las de maneira abrupta, em meio a negociações políticas sensíveis, soa menos como ajuste fiscal e mais como recado direto: quem não se alinhar ao Planalto sentirá o peso do orçamento.

É a velha lógica do “ou comigo, ou contra mim”, travestida de responsabilidade com as contas públicas. O discurso oficial fala em equilíbrio fiscal, mas a prática revela seletividade.

Enquanto bilhões são retirados das emendas, muitas delas destinadas à saúde, infraestrutura e ações locais essenciais, o governo segue preservando gastos alinhados às suas prioridades políticas e ideológicas, sem o mesmo rigor. A tesoura corta de um lado, mas é cuidadosamente guardada do outro.

O precedente é perigoso. Transformar o orçamento em arma de barganha institucional enfraquece a democracia e degrada a relação entre os Poderes. Em vez de diálogo republicano, instala-se a retaliação silenciosa. Em vez de consenso, a imposição. O Congresso deixa de ser parceiro e passa a ser alvo de pressão.

Lula, que construiu sua imagem como exímio articulador político, reedita práticas que ele próprio já condenou no passado. A diferença é que, agora, o discurso social serve como verniz para métodos antigos: cooptação, constrangimento e controle orçamentário.

No fim das contas, quem paga a conta não são apenas deputados e senadores, mas a população, especialmente nos municípios menores, que dependem das emendas para tirar projetos do papel.

O martelo da chantagem pode até funcionar no curto prazo, mas, a longo prazo, aprofunda a desconfiança, acirra tensões institucionais e expõe que, no Lula 3, o orçamento deixou de ser instrumento de governança para se tornar, cada vez
mais, uma ferramenta de poder.

Professor Taciano Medrado

Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade do Estado da Bahia (1987)-UNEB e graduação em bacharelado em administração de empresa - FACAPE pela FACULDADE DE CIÊNCIAS APLICADAS DE PETROLINA (1985). Pós-Graduado em PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL. Licenciatura em Matemática pela UNIVASF - Universidade Federal do São Francisco . Atualmente é proprietário e redator - chefe do blog o ProfessorTM

Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade do Estado da Bahia (1987)-UNEB e graduação em bacharelado em administração de empresa - FACAPE pela FACULDADE DE CIÊNCIAS APLICADAS DE PETROLINA (1985). Pós-Graduado em PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL. Licenciatura em Matemática pela UNIVASF - Universidade Federal do São Francisco . Atualmente é proprietário e redator - chefe do blog o ProfessorTM

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