
Ganhei um celular novo! O meu vinha pedindo arrego há bastante tempo e ganhei um novo de aniversário, sem excesso de sofisticação, porque eu me encaixo como uma luva na máxima “pérolas aos porcos” ou, como também se costumava dizer, seria como queimar “boa vela para mau defunto”.
Para equipá-lo devidamente (uma capinha e uma película protetora são absolutamente indispensáveis, já que sou tudo, menos cuidadosa) tanto que meu penúltimo celular caiu dentro da máquina de lavar roupas e eu só dei pela coisa porque fui ajeitar as roupas lá dentro e, do nada, sinto na mão algo que era sólido demais para estar ali, mergulhado.
E, ainda que eu dispusesse de um pote cheio de arroz e o tivesse deixado enterrado lá por dois dias, não foi possível salvá-lo.
Sem pensar em meu “passado tenebroso” com relação a celulares, tratei, mais do que depressa, de carregá-lo completamente e, aproveitando que o rapaz que vem dar banho no meu cachorro estava por aqui e eu não tenho carro, pedi uma carona até o Sacolão, onde eu pretendia ir também e comprar algumas coisas – e que, providencialmente, ficava ao lado da loja da capinha e película!
Subo na van enorme toda cheia de decalques de gatos e cachorros, desço em frente à loja e, quando a dona me pergunta o modelo do meu celular… eu o tinha deixado em casa, carregando!
Quem teve oportunidade de ler minhas crônicas anteriores, já terá percebido que não sou o tipo de velhinha que se preocupa com o Alzheimer, até porque sempre fui assim, distraída, e quem me assegura isso é meu marido, que me conhece bem – estamos juntos há mais de 40 anos – e antes que algum engraçadinho pergunte, não, ele também não tem!
Como se este celular tivesse sido escolhido entre os mais “em conta” para o Dia dos Pais numa loja muito popular, (algo que tampouco me preocupou ou decepcionou), eu lembrava bem onde ele tinha sido comprado e, dessa forma, descobrimos o modelo do meu celular e pude comprar a capinha certa!
Entretanto, eis-me de braços com outro problema: como iria chamar um Uber para voltar para casa, sem celular e sem dinheiro?
Fácil! Meu açougueiro, um sujeito ótimo, a quem sou fiel desde que mudei para cá! Atravessei a rua, conversei com ele, paguei a corrida com cartão e ainda trouxe uns ossos para meu cachorro!!

