
Derrotados no placar, vitoriosos na grandeza. O Flu nasceu com a vocação da eternidade!
Buenos, tricolores.
O “Day after” depois da derrota é uma beleza! Acordamos sem saber se foi pesadelo, pegadinha ou replay da final do Carioca de 2004. O nariz aponta pro nada, o coração, pro inferno astral e a cabeça, para aquela rede balançando ao som de Elton John, num clássico de Xerém pra Stamford Bridge: gol de uma cria nossa. A Lei do Ex. Chelsea 1, Fluminense 0.
Fecho os olhos e vejo o VAR… Ah, o VAR! Aquela entidade mística que só aparece pra atrapalhar time sul-americano. O pênalti? Claro que foi!
Gallagher fez um Plié, um Pas de deux, uma coreografia digna de Bolshoi, e ainda teve o desplante de interceptar a bola com o braço a meio metro do corpo.
Mas o juizão? Apontou a cal e correu pro abraço. Até que veio a FIFA com sua planilha e disse: “epa, um sul-americano na final? Vamos com calma!”.
Porque convenhamos: o Mundial é da Fifa, que briga por poderes com a UEFA. E você aí achando que a meritocracia existia no futebol… inocente. O Fluminense jogando a bola redonda, e os bastidores afiando a faca pra cortar nosso sonho em tiras.
O show da Fifa foi lindo: estádio de Copa do Mundo, telão de Super Bowl, prêmio digno de Powerball… só esqueceram de avisar que o roteiro já estava escrito. E não tinha brasileiro no último ato.
Afinal, onde já se viu um time das Laranjeiras estragar o chá das cinco do Chelsea e impedir uma final puro-sangue europeia?
E quando abro os olhos de novo, lá está: o segundo gol. Paul McCartney cantando “Imagine there’s no heaven for us tricolores” e a rede balançando em câmera lenta, junto com nossas esperanças. Um VAR ali não teria feito mal.
Mas fizemos história! Contra tudo, contra todos, e contra a imprensa esportiva — aquela que, se pudesse, trocava o escudo do Fluminense por um QR Code do Flamengo. E ainda teve a dancinha dos “Três Patetas + 1” naquela conhecida emissora: Moe, Larry, Joe e o outro que ninguém sabe o nome, fazendo graça da nossa dor. Humor de quinta, audiência de terça.
O choro do Árias foi um golpe. Um Pelé com chuteira número 37, um Ronaldinho que não sambou, mas ajoelhou pedindo perdão. E a gente só queria dizer: relaxa, hermano!
Você não tem que pedir desculpas quando foi justamente você quem carregou o piano, dançou a cúmbia, uma espécie de tango colombiano, e tocou o hino no final.
Porque, gostem ou não, somos um dos 4 melhores times do mundo. Isso dói nos secadores, que acenderam vela, sopraram cachaça, fizeram despacho e abriram até live com pomba-gira só pra ver a gente cair.
E cá estamos: caímos sim, mas de pé, com dignidade, camisa suada e alma limpa. Bem diferente de cair de 4 como o Real Madrid frente ao Paris.
O que fica? Orgulho! Dor também, mas orgulho vem junto, de mãos dadas. E a certeza de que a história foi escrita em verde, branco e grená.
Fluminense, o time que era zebra, cavalo paraguaio e patinho feio. Hoje é águia imperial voando alto no céu da bola.
Chora, adversário. Mas chora baixinho. Porque inveja é um sentimento menor que entope veia, causa gastrite e às vezes até mata. Cuide-se.
Saudações Tricolores.
E que venha a próxima epopeia.

