
“Amar é agir. E, às vezes, agir é dar um tapa corretivo no ego alheio”. Vitor Hugo
O mais espetacular do tapa foi a rapidez com que Macron assimilou a porrada que tomou no meio da fuça que mais pareceu um jab de direita seguido por um cruzado de esquerda.
Em frações de segundo o semblante de “son excellence le président”, aos moldes da teoria de Elizabeth Kübler-Ross, passou por cinco fases: susto, dor, raiva, negação e aceitação da agradável carícia quando notou que os olhos do mundo assistiam ao vivo uma das mais insólitas cenas do século XXI.
Foi épico! Foi felliniano! Brigitte Macron dá um tapa no monsieur Emmanuel e o mundo aplaude em silêncio. Claro! O cara não é e nunca foi boa bisca!
Sinto-me compelido à algumas reflexões de cunho eminentemente filosóficas. Veja bem! Não estou aqui incentivando a violência conjugal — longe disso. Mas quando uma mulher com mais de 70 anos, sempre elegante, discreta e diplomática, levanta a mão pro próprio marido, 25 anos mais novo, é porque o negócio foi sério.
A pergunta que ecoa na cabeça de toda mulher, mundo afora, e nem cogita calar-se é: “O que será que o cara fez?”
Penso em algumas opções, das mais prosaicas às mais impensáveis. Vamos lá!
Será que o gajo usou a toalha de rosto pra enxugar os pés e, ainda por cima, deixou a tampa da privada levantada? Ou, numa conversa sobre culinária, com testemunhas, falou que a “comida tava boa, mas a da mãe dele é incomparável”?
Quem sabe o presidente esqueceu o aniversário de casamento pela terceira vez? Se bem que, pela terceira vez, comas irreversíveis são mais comuns. E se, de repente, aproveitando uma promoção imperdível o cara me compra uma terceira Ferrari, desta vez branca, pra fazer companhia à vermelha e à azul ao mesmo tempo que homenageia as cores de França?
Será que ele disse que ela “tá linda pra idade que tem”? Improvável! Não estaria vivo pra ler esse texto. E tietagem, salamaleques, afagos, convites e beijocas em outras primeiras damas? Ou ainda chamar Alexa de “amor” por engano?
O mais provável, talvez, tenha sido aquele clássico motivo que somente as mulheres entendem: o cara respirou errado, no momento errado, com a expressão errada. Voto nessa opção.
O tapa foi leve? Nem tanto. Foi simbólico? Talvez. Foi merecido? Olha… o Instagram, o Facebook, e o “X” inteiros acham que sim.
E Macron, tadinho? Macron só ficou ali, perplexo, com aquele sorrisinho diplomático, tipo “sou o presidente da França, mas em casa quem manda é a minha linda. E hoje vou dormir no sofá presidencial”.
Mas aí entra o ponto filosófico. Todo relacionamento longo é, no fundo, uma dança entre o amor e a tolerância mas, às vezes, o compasso se perde.
Nietzsche já dizia que “o casamento é uma longa conversa que de vez em quando vira debate”.
Sartre completaria: “o inferno são os outros — especialmente aqueles que deixam a toalha molhada em cima da cama.”
Com o ocorrido, a máxima “ao lado de todo grande homem, há uma grande mulher”, modifica-se com o irretorquível adendo: “às vezes, uma grande mulher com a mão levantada”.
Por fim, a França, no modo “tô nem aí”, dorme refletindo sobre amor, poder e toalhas úmidas.
E o francês, alienado, gritando a plenos pulmões: “Vive l’amour! Vive la France!”

