
Hoje morreu um brasileiro admirável, uma figura ímpar, um humanista e um artista fantástico, que encheu o mundo de coisas lindamente fotografadas, ainda que pudessem representar horrores dos quais este mesmo mundo está recheado – e, claro, o Brasil nesses termos, diz presente fazendo um carnaval de horrores e maravilhas – Sebastião Salgado!
Reconhecido no mundo inteiro, viveu respeitando e sendo coerente com tudo em que acreditava, tendo deixado um mundo muito melhor com sua passagem.
Pessoalmente admiro tudo aquilo de que me julgo incapaz de fazer e, nesse sentido, minha admiração por Sebastião Salgado é infinita! Pessoas como ele, que vivem de acordo com suas convicções e que deu voz àqueles que tradicionalmente não a têm: os índios, os negros, os pobres, através de fotos que chamam a atenção por sua força e sensibilidade e que ele sempre viu como merecedoras de respeito e de cuidados.
Amava profundamente a flora e a fauna, que via e fotografava como seres vivos e não como estando ali para servi-lo (Deus supostamente teria dito isso a Adão – e os seguidores deste tipo de “fé” gostaram muito especialmente “dessa parte” do Evangelho).
Quer me parecer que, ceifando vidas como essa ou como a do Papa Francisco, por exemplo, talvez estejamos diante do arrependimento divino por ter vocalizado algo assim para “ouvidos moucos”, aqueles que só ouvem o que convém e só levam em consideração o que lhes convém.
Relendo o que já escrevi, fiquei pensando que eu poderia ser tida como de “esquerda” ou esquerdizante, coisa que de forma alguma me descreve – ou talvez eu quisesse viver como essa criatura extraordinária que, apesar de nunca ter abandonado seus princípios humanitários e de decência – dos mais fantásticos que já pude observar em seres humanos dessa grandeza – talvez eu também quisesse me “isolar” (ao menos parcialmente) desses nossos horrores diários, indo morar fora por décadas – sim, Sebastião Salgado morou por décadas em Paris.
E Sebastião Salgado tinha, além disso, seu proverbial bom gosto, dado que, para suas “férias”, tinha também uma casa em Bali, um lugar paradisíaco do mundo, onde também estaria cercado permanentemente de belezas. Arrumou tempo para dar vida à fazenda que foi de seu pai, aqui no Brasil e que, antes de ele replantar, com sua companheira de vida, Lélia, parecia terra arrasada!
Por onde passou, deixou seu rastro de luz e beleza, algo que não se pode dizer da maioria dos seres humanos!
Descanse em paz, grande homem, você JAMAIS será esquecido!!

