
O que fazer com Pablo Marçal?
O candidato sensação a prefeito de São Paulo aproveitou a entrevista de mais de uma hora à Globo News, ontem à noite, para acenar com bandeira branca à família Bolsonaro. Não a toda ela: deixou de fora o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), o Zero Três, queridinho do pai, a quem voltou a chamar de “retardado mental”.
Pablo Marçal disse que Bolsonaro é o “maior líder” da direita e que terá seu apoio caso seja candidato a presidente em 2026. Bolsonaro, por enquanto, está inelegível. E só poderá disputar qualquer cargo público a partir de 2030. Marçal não admite, mas pensa em candidatar-se a presidente daqui a dois anos.
Os Bolsonaro não sabem o que fazer com Marçal. A ele, numa conversa recente, Bolsonaro disse que foi muito longe no seu apoio à candidatura de Ricardo Nunes (MDB) à reeleição, e que não pode mais recuar. Nas redes sociais, Bolsonaro e os filhos criticaram Marçal e foram criticados pelos bolsonaristas que votarão nele.
Daí, a sinuca de bico em que se meteram, e o silêncio que guardam desde o fim da semana passada. Daí também o espanto que paralisa a primeira família presidencial da história do Brasil. Se ela insistir em se opor à candidatura de Marçal, arrisca-se a contrariar uma fatia importante de sua base e – quem sabe? – a perdê-la.
E se Marçal, ao fim e ao cabo, se eleger prefeito? Como ficará a família? Com a merecida fama de ter sido derrotada por uma de suas criaturas? O admirador de hoje, no caso de Marçal, pode ser o inimigo de amanhã. Bolsonaro sabe disso porque já fez muitos inimigos entre seus admiradores – quase todos traídos por ele.
O jeito é dar tempo ao tempo e torcer para que Marçal não passe de uma chuva de verão. O bolsonarismo está em adiantado processo de liquidação – e não somente em São Paulo.
Fonte: Blog do Noblat

