Há experiências na vida da gente que não dá para esquecer.
Provavelmente, pelo momento que vivemos nesta que já foi a nossa pátria amada e que, agora, é só “salve, salve”, foi que me lembrei de quando minha médica cismou que eu tinha algum bichinho resistente e sub-reptício na barriga e quis que eu fosse fazer um exame de fezes.
Quem quer que esteja lendo – e terá sido certamente por curiosidade – deve pensar “mas, que mau gosto” e eu esclareço que não se tratava de um exame comum, mas de um bem… sui-generis…
Quando ela me avisou das características do local, eu quase desisti: a razão primordial desse laboratório ter sucesso era a rapidez com que o “produto” era encaminhado para exame; leia-se imediatamente após sua “produção”.
Quando lá cheguei, era possível encontrar o laboratório pelo odor espalhado pelo andar; mais, quando o “produtor” do exame era muito pequeno ou tinha até 10 anos, era colocado em uma sala especial, que me pareceu enorme, ao redor da qual estavam outros “produtores” – um “exame de fezes coletivo”, cada qual devidamente sentado em seu penico!

Inacreditável! Mas foi isso mesmo: o local era um bocado estranho, na Rua Sete de Abril, quase esquina com a Rua Nova Barão, centro de São Paulo, num daqueles prédios que davam a sensação de serem só prédios de escritórios…
A fama desse laboratório era excelente, tanto que, de fato, conseguiram detectar qual era o problema e foi possível debelá-lo.
Essa era uma época em que muitos dos processos hoje utilizados não existiam, e o sucesso de uma pesquisa estava exatamente na velocidade com que ela acontecia. Tosco? Sim, é o que parece, mas certamente engenhoso e digno de nota!
Quando o presidente da República esteve em São Paulo com suspeita de obstrução intestinal, se este laboratório ainda existisse, seria perfeito para o caso dele: teria certamente evitado que essa obstrução tivesse ido para a cabeça!

