Feliz ano novo, Carlos


Não. Não é o Carlos Bolsonaro. É o Drummond de Andrade que, hoje, dia 31, faria 117 anos.
Dizem as boas línguas que Carlos é o maior poeta do Brasil. Pode ser. Temos muitos grandes poetas, como João Cabral de Mello Neto, Manuel Bandeira; Mário Quintana, Augusto dos Anjos, Olavo Bilac, Ferreira Gullar; fora as mulheres, os novos e novas.
Prefiro o Vinicius de Moraes e explico, mesmo, se ninguém quiser saber.
Gosto de gente sem pudor, sentimento de culpa, reservas e porões.
Ruy Castro, que escreveu as melhores biografias de ilustres, como Mané Garrincha e Nelson Rodrigues, disse que jamais poderia escrever a biografia de Tom Jobim.
Por que?
Porque Tom Jobim era muito perfeito, muito feliz, muito certinho. Tudo deu certo para Jobim, a começar pela genialidade. Mas falta aquela sacanagem, aquele tango grego, aquela tragédia argentina.
Ruy está certo.
Tanto que, a biografia de Jobim, escrita por sua irmã Helena, é um saco. A começar pela biógrafa. A irmã ia falar mal do irmão? Eles são lá Karamazov? Caim e Abel?
A melhor coisa do livro de Helena Jobim, “Um Homem Iluminado”, é o prefácio, em forma de CD, da lavra de Chico Buarque.
Preguiçoso como de hábito, Chico enrolou, enrolou e não escreveu. Mas teve mais uma ideia genial. Selecionou trechos de sua “fitoteca”.
Chico tinha a mania beleza de gravar seus encontros com Tom Jobim. Pena as conversas serem editadas pelo Chico politicamente correto e amigo.
Eles falavam muita merda boa. Bêbados, claro.
Daí o lado interessante, não só do Chico e do Tom, como de todo mundo. “Bebo para tornar as pessoas mais interessantes”. “Nunca confie em quem não bebe”. “A humanidade está três doses em atraso”. “Nunca fiz amigos numa padaria/leiteria”.
Esta última, dizem, é do Carlos Drummond de Andrade. E está vencida porque, hoje, padarias vendem cerveja.
Já Vinicius era mais direto, sobre seu dileto e fiel uísque: “Meu melhor amigo, meu cachorro engarrafado”.
Dito e sentido isso, digo que Drummond não daria uma boa biografia. A vida dele, mesmo sendo “gauche”, como ele queria e dizia, não foi tão “gauche” assim.
Drummond tinha cara de padre e de coroinha. Mineiro… Mesmo que padres e coroinhas façam coisas que até Deus duvida.
Não impede que Drummond tenha acariciado a língua portuguesa como se fosse sua amante.
O homem era bom de serviço e escreveu versos que merecem pedestal.
Mas, vocês conseguem imaginar Drummond bêbado? Transando? Fazendo sexo oral?
Eu não, até ler seu livro póstumo, claro, “O Amor Natural”, de 1992.
O “póstumo” confirma minha tese.
Chico e Vinicius são tarados confessos. Jobim tinha cara de feijão com arroz. Ainda que o feijão fosse de Gabriela, cheio de cravo, canela e pimenta. E o arroz, tailandês.
Já Drummond…
Era um tarado contido. Daqueles de pegar mulher em velório e no confessionário de igreja mineira.
Drummond entre quatro paredes chupava o balde e chutava as pedras do caminho.
Vou dar apenas um exemplo inesquecível, um verso de “O Amor Natural”: “…Era manhã de setembro e ela me beijava o membro…”.
Serelepe, ele, não?
Mas, como é aniversário do homem, ofereço a vocês seus versos mais lindos, pelo menos para mim.
“…Eu preparo uma canção que faça acordar os homens e adormecer as crianças”.
“…E eu não sabia que minha história era mais bonita que a de Robinson Crusoé”.
PS: Um homem por trás dos óculos. Mas, e quando ele tirava os óculos e a máscara, numa manhã de setembro?
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