Módica e seu chocolate

Uma das vantagens do isolamento social é a gente ter tempo para, por exemplo, ver fotos de viagens passadas. Revendo dois tours pela Sicília, quando acompanhei grupos de turismo em 2018, me reencontrei com Módica, que junto com Noto e Ragusa, formam o conjunto mais significativo de cidades barrocas do sul da ilha. Por este motivo foram declaradas Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 2002.

Escrevi aqui no Boletim um post sobre Ragusa, localizada a 15km de Módica. Lá conto como o sul da Sicília foi afetado por potente terremoto em 1693. Houve muita destruição e a reconstrução foi feita a seguir, no estilo da época, o barroco.

Primeira visão de Módica, ainda da estrada de acesso à cidade.
(Fonte: Mônica Sayão)

Módica tem passado antigo, tendo sido importante na época dos gregos e depois dos romanos. Mais tarde foi invadida por mouros e no século X por normandos. A partir do século XIII teve um longo período de estabilidade, basicamente chacoalhado por terremotos, culminando com o de 1693.

Módica, assim como Ragusa, tem uma parte alta e outra baixa. É uma região montanhosa e por isso, no passado, foi se desenvolvendo a partir da parte mais alta, descendo pelas encostas íngremes e vales profundos.

Módica Baixa, a mais moderna parte vamos dizer assim, é de fácil acesso de carro. Lá está a via principal da cidade, a Corso Umberto. Nela podemos apreciar belos palacetes barrocos, a igreja de San Pietro, o Teatro Garibaldi, assim como escolher algum restaurante, ou comprar em lojinhas de souvenirs e nas famosas lojas de chocolates. Mas sobre o chocolate falarei mais tarde.

Palacetes barrocos na Corso Humberto, na Módica Baixa.
(Fonte: Mônica Sayão)
Detalhe arquitetônico sob a sacada, típico do barroco siciliano.
(Fonte: Mônica Sayão)
Igreja de San Pietro, construída no século XVIII, também na Corso Umberto.
(Fonte: Mônica Sayão)
Teatro Garibaldi, do início do século XIX: fachada simples…
(Fonte: Mônica Sayão)
Com interior muito interessante.
(Foto: Alberto Ferro – twitter.com)
Vista de Módica Alta a partir da Corso Umberto.
(Fonte: Mônica Sayão)

Módica Alta é a parte mais antiga da cidade. Como podemos ver na foto acima, a encosta é realmente bem íngreme, e as casas parecem construídas umas sobre as outras. Por esse motivo os atrativos da parte alta estão espalhados pela encosta. O melhor é chegar de carro até onde for permitido na Módica Alta e depois se perder pelo labirinto de ruas estreitinhas e muitas escadarias, até se chegar à Catedral de San Giorgio, que é, na minha opinião, o principal atrativo da cidade.

Magnificamente localizada, a catedral chama a atenção logo à primeira vista. Para completar, há 250 degraus que a separam da cidade baixa, distribuídos em lances de degraus e patamares floridos.

A Catedral de San Giorgio, do século XVIII: destaque no cenário da Módica Alta.
(Fonte: Mônica Sayão)
Catedral de San Giorgio: maior atrativo na cidade.
(Fonte: Mônica Sayão)
Interior da Catedral de San Giorgio.
(Fonte: Mônica Sayão)
São 250 degraus a partir da catedral até se chegar à parte baixa da cidade.
(Fonte: Mônica Sayão)
Catedral de San Giorgio com sua escadaria florida.
(Fonte: Mônica Sayão)

Agora vamos ao chocolate de Módica.

Quando cheguei à Sicília pela primeira vez fiquei curiosa em provar o tal chocolate de Módica, sempre tão comentado nas “delicatéssens” que visitava por lá. O motivo da fama vem da maneira como o chocolate é produzido, a frio. Somente no México esse mesmo processo pode ser encontrado. Aliás, diz-se que o método vem dos astecas e que foi importado pelos conquistadores espanhóis no passado, já que a Sicília pertenceu à Espanha no tempo do descobrimento da América.

Os grãos de cacau são levemente aquecidos somente para a massa poder fazer uma liga com o açúcar acrescentado a seguir. Não é adicionada nenhuma gordura extra, só complementos como frutas secas e especiarias. Nesse método o açúcar não se dissolve porque a massa não é aquecida o necessário para isso.

O motivo desse método? O sabor do chocolate é muito mais puro e não há processamento industrial. Nem acréscimo de gordura extra. Confesso que estranhei na primeira mordida. A gente sente uma granulometria impensável nos chocolates que estamos habituados a degustar, mas recomendo experimentar!

Na Corso Umberto há algumas lojas de chocolates. Uma das mais famosas é a Antica Dolceria Rizza. Degustação pode ser feita, assim o cliente saberá o que está comprando.

Para os interessados, uma visita ao Museu do Chocolate da cidade é uma boa opção.

Um das mais conhecidas chocolaterias de Módica.
(Fonte: Mônica Sayão)

Assim como Ragusa, Módica é uma ótima opção para passeio de um dia.

Visitar as duas é um programa muito bacana, mas sugiro que a base seja Siracusa, cidade bem maior à beira-mar, que oferece ótimas opções de hotelaria e muita história para ser contada.

Módica é assim: parece saída de um filme antigo. O que mais me atraiu nela foi a sensação de autenticidade e de ter parado no tempo. Apesar de haver turistas, são poucos, mesmo comparado com Ragusa, que é maior. Não há Zaras nem H&M nem butiques de designers locais.

Tudo encantadoramente simples.

Tudo encantadoramente simples e autêntico.
(Fonte: Mônica Sayão)

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6 Comentários

  • Avatar
    Sônia Saraiva , 5 de julho de 2020 @ 16:21

    Excelente descrição de Módica!
    Vem uma vontade enorme de conhecê-la e provar o seu chocolate!

    • Mônica Sayão
      Mônica Sayão , 6 de julho de 2020 @ 12:32

      Sonia querida,

      Obrigada pelo carinho!

      Bjs
      Mônica

  • Avatar
    Leila Vieira , 5 de julho de 2020 @ 18:15

    Módica, como quase todas as cidades da Sicília, é simples e autêntica. Não é muito turística, embora valha bastante conhecê-la como fizemos, num dia em bate e volta de Siracusa.
    Afamada pelo chocolate, que não gostei, apesar de ser bastante apaixonada pela guloseima. Suas fotos, como sempre excelentes.

  • Mônica Sayão
    Mônica Sayão , 6 de julho de 2020 @ 12:29

    Leila querida,

    Sua avaliação foi muito boa. Módica é muito autêntica, parece saída de um filme antigo.
    E o chocolate é estranho mesmo, a gente precisa se habituar para gostar.

    Bj grande,
    Mônica

  • Avatar
    Izabel Linhares , 17 de julho de 2020 @ 17:18

    Amei.

  • Mônica Sayão
    Mônica Sayão , 17 de julho de 2020 @ 17:33

    Oi Izabel!

    Fico feliz que tenha gostado.
    A Sicília é muito peculiar e autêntica.

    Obrigada!

    Um abraço
    Mônica

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