Berlim – Parte IV: meus programas favoritos na ex-Berlim Ocidental

Hoje encerro minha narrativa sobre Berlim. Como disse anteriormente, é uma cidade repleta de atrativos e curiosidades, e que passou e ainda passa por grandes transformações.

A ex-Berlim Ocidental foi a que menos se transformou por nunca ter sido governada por um regime comunista autoritário, com outras prioridades no pós-guerra e durante o período do muro.

Foi bastante bombardeada também, mas houve recursos e vontade política para reconstrução a partir do final da Segunda Guerra.

Berlim Ocidental (de 1949 a 1989), com seus bairros. O muro só foi construído em 1961,
mas a cidade estava dividida oficialmente desde 1949. (Fonte: pt.wikipedia.org)

Meus bairros favoritos:

1) CHARLOTTENBURG:

Da mesma forma que o bairro de Mitte é o coração da ex-Berlim Oriental, Charlottenburg é o coração da parte ocidental. Lá está a Kurfürstendamm, o boulevard arborizado ladeado por edifícios antigos muito elegantes e comércio bacana, incluindo a mais tradicional loja de departamentos da Alemanha (chama-se KaDeWe), e alguns monumentos importantes. Caminhar por esse boulevard é muito agradável principalmente quando a gente se afasta do trecho mais comercial.

A avenida mais famosa da ex-Berlim Ocidental chama-se Kurfürstendamm.
(Fonte: pt.wikipedia.org)
KaDeWe, a loja de departamentos mais emblemática da Alemanha, fundada em 1907, tem uma “praça de alimentação” bem moderna no seu último andar.
(Fonte: Mônica Sayão)

Já que falei em monumentos, é na Kudamm (como os locais abreviam o nome do boulevard) que está a Igreja Memorial Kaiser Wilhem I, construída por seu neto Kaiser Wilhem II em 1890. Foi muito destruída durante a Segunda Guerra. Ao invés da demolição total ou reconstrução, foi deixada em ruínas como lembrança da total insensatez de uma guerra. Vale visitar o que restou da igreja porque lá há uma exposição com fotos do antes e depois dos bombardeios.

A Igreja Memorial ao centro, ladeada por duas construções terminadas por volta de 1960,
que são o campanário sextavado e a capela octavada, que “substituem” a igreja devastada.
(Fonte: Mônica Sayão)
Na época do Natal há uma feirinha ótima no entorno da Igreja Memorial, sempre cheia de gente. Infelizmente foi lá que houve o atentado
(atropelamento coletivo) em dezembro de 2016, à noite, com várias mortes. Eu estava nesse mercado, na mesma hora do atentado, só que no dia anterior.
O mercado de Natal continua a existir no mesmo local, só que com segurança reforçada.
(Fonte: Mônica Sayão)

Sugiro também a entrada na capela moderna octavada construída ao lado, toda com vitrais azuis. É muito singela e de grande efeito visual. Eventualmente há concertos musicais à noite, é só se informar.

Interior da capela construída ao lado da Igreja Memorial Kaiser Wilhem I.
(Fonte: Mônica Sayão)

Há também construções modernas no bairro, mas o que mais chama a atenção é o aspecto tradicional muito simpático de Charlottenburg. Quanto tenho tempo costumo passear pelas ruas transversais à Kurfürstendamm e sempre descubro preciosidades em termos de fachadas ou de restaurantes. Assim fiquei conhecendo o Café im Literaturhaus – Wintergarten, numa casa antiga com um jardim pra lá de agradável. O café é muito acolhedor e as comidinhas são ótimas.

Há construções modernas em Charlottenburg, principalmente prédios de escritórios e de hotéis. (Fonte: Mônica Sayão)
Café im Literaturhaus: lugar delicioso em Charlottenburg. (Fonte: Mônica Sayão)

Há vários museus no bairro e até um palácio, o de Charlottenburg. Palácio barroco, com jardins maravilhosos, na beira do rio Spree (ele mesmo, o Spree que serpenteia por boa parte da cidade), é um programa ótimo para um dia de sol, mesmo que só para passear pelos jardins. O palácio também pode ser visitado, é claro, e expõe entre outras coisas, os aposentos da rainha Sophie Charlotte e de seu marido rei Friedrich I da Prússia, coroado em 1701. Agora sabemos o motivo do bairro se chamar Charlottenburg!

Palácio de Charlottenburg com seu jardins barrocos e lago (parte superior da foto) e o rio Spree passando ao lado da propriedade (à direita na foto).
O mais impressionante é o que não se vê nessa imagem: o enorme parque com trilhas que pertence ao palácio.
(Fonte: 10cose.it)

Gosto muito de mostrar a escultura “Berlin: Broken Chain” (Berlim: Corrente Quebrada), também na Kudamm, que tem um simbolismo emocionante. Foi feita em 1987 por um casal de escultores para a comemoração dos 750 anos da cidade, organizada por Berlim Ocidental. Representa as dificuldades da Berlim dividida na época do muro.

Escultura feita em 1987, antes da queda do muro de Berlim, e que representa
a cidade dividida, com os elos “quebrados” da corrente. (Fonte: Mônica Sayão)

2) TIERGARTEN:

É meu segundo bairro favorito do oeste de Berlim. Seu principal atrativo é o próprio Tiergarten, segundo maior parque da cidade e o mais central. Aliás, sugiro um passeio pelo parque de Tuk-Tuk, é bem gostoso.

É dentro do parque que está a Chancelaria Alemã, onde Angela Merkel trabalha. É no bairro também que se encontra grande número de embaixadas, uma ao lado da outra.
Há três atrações, além do parque, que mais me encantam em Tiergarten: a Filarmônica de Berlim, o Sony Center (logo ao lado) e o Zoológico.

A Filarmônica de Berlim é um templo da música clássica, da melhor qualidade artística. Maestros como os grandes Herbert von Karayev e Claudio Abbado foram, durante anos, maestros titulares da orquestra. E no passado, Richard Strauss, Gustav Mahler, Johannes Brahms, só para citar alguns, foram maestros convidados.

Mas não é só. O prédio foi projetado pelo arquiteto alemão Scharoun. Inaugurado em 1964, mostrou ser um projeto arrojado em termos arquitetônicos e de acústica, que aliás, é impecável.

Recomendo fortemente assistir a uma apresentação da Filarmônica. Para mim é sempre uma grande emoção. A programação está no site e os ingressos devem ser comprados com bastante antecedência. Posso garantir que vale a pena, é pura magia!

Filarmônica de Berlim: projeto arrojado em 1964.
(Fonte: Mônica Sayão)
Interior da Filarmônica de Berlim: templo sagrado!
(Fonte: Mônica Sayão)

Sobre o Sony Center já falei no post Berlim (Parte 2) quando o assunto foi arquitetura. Vale vê-lo de perto, a cobertura da estrutura é desconcertante.

Quem ficou surpreso de eu ter gostado do Zoológico de Berlim, eu também ficaria! Nunca na minha vida, exceto quando meus filhos eram pequenos, voltei a um zoológico. Relutei muito em visitar o de Berlim, mas confesso que adorei. Bem, os fatores foram bem favoráveis: dia lindo de sol, temperatura de 14C (adoro frio) e nenhuma criança fazendo manha (importante!).

Mas não é só isso. O zoo fica no bairro de Tiergarten, mais central impossível, rodeado por belos e modernos prédios, com o rio Spree (pois é, ele de novo) logo ao lado, uma estrutura fantástica para os animais, e muita vegetação.

Uma dica: há um hotel ao lado do Zoológico que se chama Hotel Bikini Berlin, que aliás é muito bom. Vá até o último andar para tomar um drink no Monkey Bar e observar o zoológico de cima. A vista panorâmica é linda! Mas chegue cedo, é bar da moda.

O Zoológico, no bairro de Tiergarten, é lindo e impecavelmente bem cuidado.
(Fonte: Mônica Sayão)
O Zoológico, no coração da ex-Berlim Ocidental.
(Fonte: Mônica Sayão)
Construções inesperadas para um zoológico, mas que dão muito charme ao local.
(Fonte: Mônica Sayão)
Não pude resistir…
(Fonte: Mônica Sayão)

3) STEGLITZ, LICHTERFELD E DAHEM (Lichterfelde e Dahem hoje pertencem a Zehlendorf, no mapa acima):

Esses três bairros vizinhos, ao sul de Charlottenburg, são típicos de classe média-alta da ex-Berlim Ocidental, que não são conhecidos por turistas por serem mais afastados e não terem atrativos específicos. São encantadores, com suas ruas muito arborizadas, bonitas casas e prédios baixos. E muito tranquilos! O turista provavelmente não irá até lá, mas achei interessante mostrar um pouco dessa região.

Centro comercial de Lichterfelde: parece que estamos em Berlim?
(Fonte: Mônica Sayão)
Cruzamento de duas ruas residenciais de Lichterfelde: que sonho!
(Fonte: Mônica Sayão)
Mais uma rua de Lichterfelde.
(Fonte: Mônica Sayão)

Não posso terminar o assunto Berlim sem falar sobre o passeio de barco pelo rio Spree. Tinha que ser, não? Um rio onipresente merece ser navegado!

Tudo vai depender do clima e do tempo disponível. Se estiver nublado o passeio fica prejudicado. Se forem poucos dias em Berlim não valerá a pena.

Há pelo menos dois circuitos feitos por empresas de barcos distintas. Um deles leva 1h30 e passa mais pela ex-Berlim Oriental. O outro leva 3h30min e faz o circuito inteiro. Já fiz os dois e, apesar de longo, é no segundo que se tem uma visão mais completa da cidade, com sua arquitetura e áreas verdes.

Navegando pelo rio Spree: muito verde pelo caminho.
(Fonte: Mônica Sayão)
A Chancelaria Alemã, onde Angela Merkel trabalha.
(Fonte: Mônica Sayão)
Minha imagem favorita do rio Spree: aí estamos no bairro de Tiergarten
(Fonte: Mônica Sayão)

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11 Comentários

  • Avatar
    Marina , 16 de agosto de 2020 @ 17:41

    Acompanhei e adorei todos os textos sobre Berlim. Tenho viagem planejada para lá e aprendi muito sobre a cidade, que agora vejo com outros olhos. Que matéria rica e bem escrita. Parabéns Mônica Sayão e “O Boletim”.

    • Mônica Sayão
      Mônica Sayão , 17 de agosto de 2020 @ 13:15

      Marina Fátima querida,

      Muito obrigada pelo carinho!
      Fico feliz de poder ter contribuído de alguma forma para sua viagem a Berlim!

      Bjs,
      Mônica

    • Mônica Sayão
      Mônica Sayão , 17 de agosto de 2020 @ 13:27

      Marina querida,

      Agradeço muito suas palavras carinhosas.
      Fico feliz de pensar que posso estar ajudando vc com sua próxima viagem a Berlim.

      Bjs,
      Mônica

  • Avatar
    Ana Marcia Suzuki , 16 de agosto de 2020 @ 21:41

    Monica é perfeita em comentários, fotos e na sua disposição de encantar o turista . Parabéns . Vc foi feita para isso : nos deslumbrar .

    • Mônica Sayão
      Mônica Sayão , 17 de agosto de 2020 @ 13:22

      Ana Marcia querida,

      Vc sempre tão carinhosa comigo! Agradeço muito!!!

      Bjs,
      Mônica

  • Avatar
    Ana Márcia Suzuki , 16 de agosto de 2020 @ 21:49

    Berlim se torna encantadora e disponível com a visão sensível e cultural de Mônica . As paisagens , a didática na descrição dos bairros e a ótica Estética da arquiteta fazem da viagem um evento de prazer e descobertas. Parabéns .

    • Mônica Sayão
      Mônica Sayão , 17 de agosto de 2020 @ 13:29

      Ana Marcia!

      Ganhei 2 comentários seus! Uau!
      Muitíssimo obrigada!

      Beijão,
      Mônica

  • Avatar
    Alcina Cordeiro de Sa , 16 de agosto de 2020 @ 23:08

    Parabéns Mônica
    Essa viagem foi muito linda

    • Mônica Sayão
      Mônica Sayão , 17 de agosto de 2020 @ 13:31

      Querida Alcina,

      Foi mesmo uma viagem maravilhosa!

      Muito obrigada!

      Bjs,
      Mônica

  • Avatar
    Edwi Chiapetta Azevedo , 17 de agosto de 2020 @ 14:48

    Oi Mônica, através das suas fotos e texto, viajo mais uma vez para a Alemanha.Parabéns!

    • Mônica Sayão
      Mônica Sayão , 18 de agosto de 2020 @ 11:07

      Edwiges querida,

      Mais uma vez muito obrigada pelo carinho!

      Bjs
      Mônica

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