7 de julho de 2022
Colunistas Walter Navarro

Sir Edward: vou começar pelo fim

Ontem, 15 de março de 2022, dia de pagar a Unimed, morreu meu único Eduardo Almeida Reis. Agora sim, o “Brasil virou um país grande e bobo”.

A leitora supimpa e o leitor pacóvio, que não conhecem Eduardo Brant Almeida dos Reis, podem abandonar esta leitura. Vão ver se estou na esquina, pentear macacos; amolar o boi, o pinto e a senhora sua mãe.

Podem também ir chupar meia suja de maratonista com micose.

Tudo com minha maldição árabe favorita: “Que as pulgas de mil camelos infestem seus sovacos e que seus braços sejam muito curtos para coçá-los”.

Juro que, ao sair de casa, não sou perseguido por uma nuvem piroclástica sobre minha cabeça. Mas, em novembro, passei o dia pensando em J. e, à noite, soube que ela morreu. Passei sábado e domingo, 12 e 13 de março, estudando o Putin. Descobri que ele é mais bandido e ladrão que o maior ladrão e bandido do mundo, Lula.

Fim de domingo, na esteira ou roleta russa, lembrei-me do William Hurt, num ótimo filme sobre o tema Rússia, Moscou, Guerra Fria: “Mistério no Parque Gorki” (1983).

Revi o filme de duas horas, com o mesmo sabor de quase 40 anos atrás. Lá estava William, ótimo ator, jovem, bonito e imortal. E a gostosa da Joanna Pacula.

Tenho a mórbida mania de, depois do filme, à guisa de saber a idade dos atores e quais já morreram, consultar o Google. Digitei: “Elenco do filme Mistério no Parque Gorki”. De cara, o ator principal, William Hurt. Fui ver a idade dele e bumba! O cara tinha morrido, no mesmo dia, no mesmo domingo, 13. PQP! Isso foi em Barbacena.

Três dias antes, 10 de março, em Belo Horizonte, num jantar na casa de um amigo em comum, Décio Freire – sim, ele mesmo o indefectível primo do Nelson – perguntei sobre Eduardo Almeida Reis.

Depois de um segundo eterno, o jornalista João Carlos Amaral – oriundo de Desterro do Melo, Grande Barbacena – vaticinou: “Fiquei sabendo que o Eduardo morreu”.

Ao escutar um “não acredito” e outro “se fosse verdade a gente saberia”, fui ao Google e lá estava Eduardo, vivinho da Silva, aos 84 anos, no silêncio sepulcral da Juiz de Fora que “ele escolheu”.

Os 15 ou 18 presentes levantaram as taças e brindamos à saúde do bom e velho Eduardo Gosta!

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.