4 de julho de 2022
Colunistas Walter Navarro

Preguiça, ingrisia e jujubas

Preguiça não é pecado, é doença.

“Se foi pra desfazer, por que é que fez?”.

Eu estava tão feliz em Paris e Lisboa, por que tive que voltar pra PTlândia? Que canseira! Misericórdia!

Se somos obrigados a voltar, nem deveríamos sair. Antes, uma pequena fuga de Bach – três semanazinhas fora – já era “um descanso na loucura”, agora é uma vírgula!

Ainda bem que voltei com muita chuva e clima de gente. Mesmo assim, “volume morto” continua uma música nos meus ouvidos. Saudade de ouvir David Bowie, in memoriam, no inverno civilizado de Lisboa, ao som de vinho tinto e água Pedras Salgadas com gás. Tem outra mineral boa, mas de nome perigoso: Águas das Caldas de Penacova…

Saudade da Feira da Ladra, o Mercado das Pulgas lisboeta. Que falta faz uma cerveja no chique Chiado e a bagunça do Bairro Alto. As casas coloniais, com cores coloniais, centenárias e bem conservadas. As legítimas calçadas de pedras portuguesas. As sardinhas, os queijos artesanais, a língua que a gente entende mais ou menos.

Aí você volta numa sexta à noite. Tudo escuro e vazio por causa do “frio”, da chuva e da falta de dinheiro.

Ai que preguiça de Faustão, Fantástico, BBB, Lava Jato que não prendeu o Lula até agora e outras asneiras.

Já no século passado, Raul Seixas assumia o ouro de tolo que é o Brasil: “… Eu devia estar feliz pelo Senhor ter me concedido o domingo pra ir com a família ao Jardim Zoológico dar pipoca aos macacos. Ah! Mas que sujeito chato sou eu que não acha nada engraçado: macaco praia, carro, jornal, tobogã, eu acho tudo isso um saco…”.
“Ai, que preguiça”, de Macunaíma!

Ai que preguiça deste povo já pensando em carnaval e me perguntando aonde vou passar o carnaval. Eu vou pra p… que.. Deixa pra lá, deixa pra outros carnavais. Carnaval bom era o de Roma onde uma vez por ano era permitido enlouquecer. Pena que não era pecado!

Por falar nisso, o que será que vou fazer no carnaval? Ano passado passei em coma, num CTI do LifeCenter. Quando acordei sabia nem onde estava.

Mas este ano tudo vai ser diferente. Vou voltar pra Paris e Lisboa, mesmo que seja em fotos e arrumando as malas que ainda estou abrindo, quase uma semana depois.

E vou fazer tudo com trilha sonora de Bowie.

Por falar no Bowie que os dias e anos não trazem mais, acho melhor reverenciar certos vivos, como Mick Jagger e Jack Nicholson. Depois, é nunca mais e até a próxima.
Ops! Meu travesseiro e minha TV acabam de me ligar, tchau.

Foto: Google Imagens – Voando e Avaliando

PS: Na ilustração de hoje, que tirei da telinha de minha poltrona (sic) da TAP, não parece que o avião está caindo em Belo Horizonte? E caiu!

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

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