1 de julho de 2022
Colunistas Walter Navarro

A raposa e as vulvas

Nego, não nego, paro, quando puder! Ou seja, never! Nunca mais, outra vez.

“O que não é repetido, resta inédito” (Nelson Rodrigues). Então volto à negação, na Psicologia, Anna e Sigmund Freud na veia. Ou no nariz!

Por que milhões negam o inegável?

Por que milhões de humanos, em teoria, cismam gritar “Lula Livre” e/ou “Prenderam Lula sem provas”?

Isso; Babacas, por mais que Lula tenha ficado preso por quase dois anos) e as provas abundem.

“A negação é um mecanismo de defesa, é recusar-se a reconhecer que um evento ocorreu, líquido, certo e sólido. A pessoa afetada simplesmente age como se nada tivesse acontecido, se comportando de maneira que outros podem ver como bizarro”.

É a “lanterna dos afogados” na qual náufragos agarram-se, como um Leonardo Di Caprio em águas geladas a ver navios afogarem gansos.

É duro dar a língua a torcer e pagar o braço.

É foda dizer a coisa mais simples do mundo: “errei”. É o caso do Chico Buarque e milhões de chupadores de pau de Lula.

Chico ainda tem algo edipiano, enquanto Tom Jobim tinha de piano. O pai do Chico, Sérgio, foi um dos fundadores do PT. Por sorte, morreu muito antes de ver a Herança Maldita que legou ao filho.

A negação ocorre por motivo dos mais banais. Na esperança de estarem certos, no final da novela, continuam errados até o fim da piada.

A pessoa energúmena simplesmente “faz vista grossa” para uma situação desconfortável.

Exemplos de negação como mecanismo de defesa:

Cornélio, nem flagrando a mulher, com a boca na massa, acredita que é corno; que é traído. Exatamente por isso, é sempre o último a saber.

“Um homem ouve que sua esposa foi morta e ainda se recusa a acreditar, ainda arruma a mesa para ela e mantém suas roupas e outros acessórios no quarto, como em “O Quarto Verde” (1978) de François Truffaut (1932-1984). Alcoólatras vigorosamente negam que têm um problema. Otimistas negam que as coisas podem dar errado. Os pessimistas negam que podem ter sucesso”.

“A negação é um dos mecanismos de defesa originais de Anna Freud. Quando você nega uma situação, em seguida, outra pessoa junta-se a você. Evitar o problema pode impedir a resolução do mesmo”.

Discípulo que sou de Lacan, Jung, Gilles Deleuze e Zeca Dirceu, passemos à outro tipo de negação; passemos à raposa, às vulvas, à inveja e ao Ensaio Sobre a Cegueira Voluntária.

Li o “Reserva Moral”, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre o governo Bolsonaro: “É pior do que eu esperava. Quase 100 dias depois da posse, não vi nada do governo”.

Coisa de maconheiro… Colírio… Óculos escuros…

Mon cher FHC, tem gente que sabe de nada, você vê nada. Não viu que assaltou Itamar Franco, muito menos que, antecipando um tipo de Mensalão, comprou a oposição e a rima pela reeleição. Não vê que entregou o Brasil ao PT e até hoje não quer ver a relação incestuosa que manteve com Lula, Dilma e Temer. Não vê o que fez durante oito anos porque aí, sim, nem com Raio X. Não vê os três meses de hoje porque não quer.

Não vê porque vê que, quando alguém quer, faz.

Não quer as uvas porque estão verdes, só quer o vinho delas. E vinho francês.

Por falar nisso, erra-nos, “please”. Vá pra Paris com tua babá e/ou cuidadora. Mas cuidado com as correntes de ar!

Tu, Lula e Dilma tiveram mil chances de transformar o Brasil num país. O que fizeram?

Até te acho simpático, boa lábia, boca mole como o Gilmar, que você nomeou… Gostava da D. Ruth.

Mas chega, basta.

Se você é tão fodão por que não se candidatou de novo? Se a égua da Dilma era tão querida por milhões, por que não se candidatou de novo, preferindo levar uma surra em Minas, para o Senado? Até o cavalo de Calígula, Incitatus, conseguiu ser senador em Roma.

Vocês parecem aqueles chatos que, não convidados, ficam do lado de fora falando mal da festa. Mas na festa do Lula, amanhã, em Curitiba, ambos estão mais que convidados, intimados.

Olha FHC, você viu nada, mas Deus tá te vendo.

PS: Quer ver de verdade? Tente ir até a avenida Paulista, amanhã, mas cuidado com os manifestantes e a polícia, tá?

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

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