A Longa Noite dos Leopardos


Em e sobre relacionamentos pessoais e amorosos, já cansei de ouvir que as pessoas não mudam. Podem fingir para conquistar, mas acabam voltando à natureza do escorpião, que é mais forte.
Assim como as pessoas, na democracia, governos também não mudam. Fingem na campanha, para conquistar votos e depois rodam o filme “A Volta dos que não Foram”.
Rupturas reais são escritas com R de Revolução. No começo, tudo bem. Todas as revoluções são românticas. A começar pela Revolução Francesa que guilhotinou a monarquia e mergulhou a França no Terror e no Sangue, na barbárie. Mesma coisa com a Revolução Russa e a Cubana.
Gosto muito de Luchino Visconti, de Alain Delon e muito mais da Claudia Cardinale, por motivos mais palpáveis.
Logo, gosto muito do filme “O Leopardo” (Il Gattopardo), de 1963.
É um filme angustiante, um retrato da decadência, da luta pela sobrevivência; um filme triste.
Entre mil outras qualidades, o livro de Giuseppe Tomasi di Lampedusa e o filme de Visconti eternizaram a máxima que virou filosofia; não, lição de anatomia política: “… Para que as coisas permaneçam iguais, é preciso que tudo mude”.
Existe, realmente, diferença entre Republicanos e Democratas, nos Estados Unidos?
Existe, realmente, diferença entre o Socialismo de François Mitterrand e seus opositores de centro direita?
Não, “no” e “non”.
Desloquemos a maldição, da Itália para o Brasil.
Os militares de 1964, de saco cheio, chutaram o balde e entregaram a batata quente aos civis. E que civis!
Tutankamon pegou Tancredo (aliás, o personagem de Alain Delon em “O Leopardo”, era Tancredi) e brindou-nos com a Boceta de Pandora, o Circo de Horrores, a Herança Maldita, a começar por Sarney.
Sarney gerou Collor que pariu Itamar que deu em FHC.
Nada mudou.
Aí, veio Lula, enganou Deus e principalmente o Mundo. Como um Dr. Frankenstein, Lula fez Dilma que abortou Temer, num bidê de bordel.
O Brasil pós militares e o do PT? A grande diferença é que o PT roubou muito mais e à luz do dia.
Aí, veio Bolsonaro.
Agora, temos Bolsonaro que, em campanha, era contra “tudo isso que está e estava aí”.
São apenas três meses de Bolsonaro e ainda acredito nele, apesar das caneladas nas próprias pernas.
Todavia e cotovia, a Maldição dos Leopardos continua vingando: mudar tudo, para mudar nada.
Nas aparências, um presidente no Brasil é o Poderoso Chefão.
Mas não. Manda nada, depende de todos. E todos são, como sempre, os canalhas, os imbecis de plantão.
Do jeito que vai, sem “aquele choque de Barbacena”, estes três meses serão quatro anos.
Não acredito em guilhotina, forca, nem “paredón”, apesar de não me faltar vontade e os candidatos abundarem.
Quando Lula disse que pra matar a jararaca (ele) deveriam cortar a cabeça; de novo, errou e mentiu.
O ventre da besta, da jararaca, está mais fértil que nunca.
Os filhotes que crescem qual capim estão, como Invasores de Corpos, no STF, Senado, Câmara, nos baixos escalões; em todas as áreas e esferas.
Não adianta mais quimioterapia no Brasil, temos que encarar amputação e próteses.
PS: Tenho certeza, para que as coisas mudem, é preciso que tudo mude.

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