1 de julho de 2022
Editorial

Pesquisas: "crer ou não crer", eis a questão

Foto: Arquivo Google – Poder360

Uma bela analogia foi feita pela BBC News/Brasil: Uma pessoa adulta tem entre cinco e seis litros de sangue. Mesmo assim, os médicos conseguem descobrir doenças como a anemia extraindo alguns poucos mililitros de um paciente – em um exame como o hemograma.
A analogia acima se aplica às pesquisas eleitorais e de opinião: com os métodos certos, é possível conhecer o pensamento e as tendências em um grupo tão grande quanto os eleitores brasileiros (>146 milhões de pessoas, segundo o Tribunal Superior Eleitoral) a partir de entrevistas com uma pequena parte deste contingente – amostras de 2 mil pessoas ou até menos.
Com as eleições se aproximando, as pesquisas se tornam cada vez mais comuns. Os levantamentos dos institutos de pesquisas, porém, vão muito além da disputa pela Presidência da República: são usados também para conhecer tendências de opinião das pessoas sobre determinados temas e para planejar estratégias de marketing das empresas.
Em eleições acirradas, é comum que candidatos e militantes ataquem o resultado de pesquisas eleitorais (especialmente quando se saem mal). Mas não se deixem enganar: políticos, marqueteiros e partidos conhecem o valor das pesquisas para entender e se posicionar da melhor forma durante a disputa, e muitas vezes encomendam suas próprias pesquisas antes de tomar decisões.
Para os partidos políticos e candidatos, os resultados das pesquisas são fundamentais para as decisões estratégicas das campanhas eleitorais, desde a definição do melhor candidato ou coligação partidária até a avaliação da forma de se comunicar com o eleitor.
As pesquisas permitem várias interpretações. Nesse aspecto, somos geniais. As mais curiosas abordam possíveis cenários de embates no segundo turno, com base em rejeições divulgadas parcialmente. Não obstante, uma executiva do Ibope, em entrevista nesta semana, afirmou: hoje, as análises de cenários sobre o segundo turno não permitem conclusões confiáveis. Vai entender…
Interessante… nunca participei de pesquisa. Não conheço uma pessoa que tenha sido. Onde essas pesquisas são realizadas? Será que são feitas? Só dizem que aconteceram em “x” municípios, e só. Confiar como?
Quais são as técnicas usadas pelos institutos de pesquisa para terem resultados tão disparatados? Numa, o candidato sobe; na outra, o mesmo desce! Esse imbróglio é rotina ou faz parte da enganação coletiva? Apenas diferenças de metodologias?
Pesquisa divulgada hoje, do Vox Populi, encomendada pela CUT, traz o Haddad subindo mais de 20% numa só semana… dá pra acreditar?
A fria aderência do eleitor a uma reação de repulsa e por consequência de solidariedade ao candidato à Presidência Jair Bolsonaro, como demonstrou a última pesquisa Datafolha, não se deve ao perfil radical do capitão reformado “Bolsonaro tem 24%, e quatro empatam em segundo lugar”. Ela é, antes de tudo, reflexo do desprezo do brasileiro pela classe política, que não se cansa de atentar contra os valores da cidadania. Qualquer que fosse a vítima do atentado, a reação seria a mesma.
Não dá para entender por que os candidatos à Presidência da República se preocupam tanto com Jair Bolsonaro. Os órgãos de pesquisa garantem, e as mídias divulgam, que ele não ganha no primeiro turno, e que perde para todos os seus opositores, no segundo. Enfim, estão certos, definitivamente, que Bolsonaro é “carta fora do baralho”. Será?
Dois fatos novos podem, e deverão, mudar bastante o resultado das próximas pesquisas: o fato de finalmente o PT ter declarado seu candidato à presidência, Haddad, e o fato do atentado contra o Bolsonaro, agravado com a cirurgia de emergência de ontem… o primeiro deve retratar qual o percentual de transferência de votos Lula pode fazer para um outro poste e o segundo, o sentimento de pena e revolta quanto ao acontecido com o Bolsonaro…
Agora, vocês acham que realmente o resultado de uma pesquisa muda o voto de alguém?

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Advogado, analista de sistemas e editor do site.

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