21 de maio de 2022
Editorial

Eleição não é Copa do Mundo

Foto: Arquivo Google – CorreioRegional.Net

Para o cargo de presidente da República, habilitaram-se 13 candidatos, dos quais, seguramente, dez não têm a mínima chance de vencer a disputa. Então, raios, não entendo a teimosia em continuar com as historinhas no programa eleitoral gratuito. Além de tudo, algumas são absolutamente absurdas. Já é hora de repensar este Fundo Partidário e admitir, para o financiamento de campanhas, contribuições somente de pessoas físicas, limitando o valor, naturalmente, e não dedutíveis do Imposto de Renda.
Nunca nós tivemos no Brasil uma esquerda e uma direita tão atuantes e equilibradas e um centro tão disperso e confuso, às vésperas de uma eleição tão importante, num momento de total perplexidade da nação. Tudo de que não necessitamos é de políticos extremados na direção do país, tanto quanto devemos rejeitar aventureiros, salvadores da pátria e vendedores de ilusões que dizem que vão resolver os problemas estruturais da nação num passe de mágica. Isto não existe. O Brasil não é uma republiqueta que pode ser administrada por atos de vontade irrealizáveis. É preciso ter talento para exercer a liderança efetiva e também a fim de pôr em prática as grandes reformas estruturais. E assim mudar a mentalidade da nação.
Para onde estamos indo? Estou assustado com as mirabolantes propostas dos candidatos a cargos eletivos. Entristece ver que os graves problemas econômicos, de segurança, saúde e educação não são encarados seriamente pelos candidatos. Enoja, principalmente, ouvir as falsas soluções e as promessas extravagantes de candidatos à Presidência. Vale tudo para engabelar o eleitor, mas tirar o dinheiro de onde?. Como tem sido até agora, o povo, que está num fundo buraco, continuará pagando o preço de políticas populistas? Haja engodo!
O Brasil do futuro vai enfrentar novamente as urnas. Que país é este em que o dever compulsório do voto se sobrepõe ao “direito” do cidadão de decidir se quer ou não participar do pleito? Que candidatos são estes que na TV têm enorme capacidade de construir um país perfeito mas, quando eleitos, se notabilizam pela inigualável competência de frustrar as expectativas? Que eleições são estas em que, ao mesmo tempo em que mobilizam a esperança, incentivam o medo? Já passou a hora de o gigante adormecido exigir o mínimo de ordem e obter o máximo de progresso.
O brasileiro trata as eleições como uma Copa do Mundo, só pensa nela de quatro em quatro anos. O que mata a nossa democracia é a falta de vigilância e cobrança sobre em quem votamos. Só queremos soluções imediatas e, de preferência, com candidatos simplistas e carismáticos. Isso não dá certo.

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Advogado, analista de sistemas e editor do site.

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