“A SUDERJ INFORMA”: sai Pazuello, entra Queiroga!

Foto: Google Imagens – Valor Econômico – Globo

Mais uma vez o Presidente Bolsonaro, sofrendo pressão de todos os lados, principalmente da mídia, substitui o Ministro da Saúde. A alegação da mídia era de que o escolhido não era médico e tome de porrada em cima do General. Se um médico lá na Cochinchina fizesse um diagnóstico errado a mídia ia, voltava e arranjava um jeito de culpar o General, chegando assim aonde eles queriam: ao presidente Bolsonaro.

Já escrevi em editoriais anteriores sobre Ministros da Saúde que não eram médicos. Uma breve pesquisa nos mostra que desde 1953 até 2018, tivemos 12 Ministros NÃO MÉDICOS, com todo o “tipo” de presidentes que possamos imaginar: Getúlio, Juscelino, Jânio, Ranieri, Collor, Itamar, FHC e Temer. A saber:

Antônio Balbino – 1953 – Getúlio
Miguel Couto Filho – 1953 – Getúlio
Pedro Paulo Penido – 1960 – Juscelino
Armando Falcão – 1961 – Juscelino
Edward Cattete Pinheiro – 1961 – Jânio
Vasco Leitão da Cunha – 1964 – Ranieri Mazzili
José Goldemberg – 1992 – Collor
Henrique Santillo – 1993 – Itamar
José Serra – 1998 – FHC
Barjas Negri – 2002 – FHC
Ricardo Barros – 2016 – Temer
Gilberto Occhi – 2018 – Temer

Alguns deles fizeram excelentes administrações. Não me lembro (pesquisei apenas rapidamente) de a mídia ter sequer mencionado – salvo para apresentar os currículos – que o Ministro da Saúde nomeado não era um médico ou que sua administração fora ruim porque ele “não era da área”.

Aliás, lembro muito bem, por ser exemplo mais recente, de José Serra, engenheiro, quando durante sua administração quebrou inúmeras patentes e “criou” os Genéricos, barateando absurdamente alguns medicamentos, a maioria de uso contínuo. Alguém acha que esta ideia veio da cabeça dele ou então da cabeça de FHC? Óbvio que não. Foi proposta pela equipe montada por Serra ou pelos dedicados funcionários do Ministério, sendo costurados, aí sim, politicamente muito bem, por Serra e o então presidente – de péssima lembrança – FHC.

Salvo por implicância com o Presidente Bolsonaro, por que ele então não poderia indicar um Ministro da Saúde que não fosse médico. O Ministro não atende paciente, ele precisa administrar, montar uma equipe competente e seguir a política de Estado determinada. Ou vocês acham que um presidente escolheria um ministro (de qualquer pasta) não alinhado com seu pensamento? Você convidaria alguém para trabalhar com você sem conhecê-lo ou ao menos concordar com ele nos temas mais cruciais?

Outro ponto importante, aliás MUITO importante: nenhum destes ministros citados acima teve que encarar uma pandemia. A última que o mundo teve foi a gripe espanhola e tínhamos um “Oswaldo Cruz” e isso foi bem antes dos mencionados acima (de 1953 pra cá).

Alguns tiveram apenas que enfrentar surtos de dengue, zica ou chikungunya. Todos os surtos juntos, não chegam sequer próximo a uma pandemia.

Apenas para servir de comparação: A gripe espanhola de 1918, foi uma vasta e mortal pandemia do vírus influenza. De janeiro de 1918 a dezembro de 1920, infectou uma estimativa de 500 milhões de pessoas, cerca de um quarto da população mundial na época. Não chega nem perto do que está sendo a COVID-19. Vamos em frente…

Apesar de o presidente se mostrar um negacionista (termo usado quando se quer desmerecer alguém num determinado assunto) quando comparou a COVID-19 a uma gripezinha, o que ele fala como cidadão e o que ele faz como presidente é muito diferente.

Desde agosto do ano passado, o Ministério da Saúde iniciou negociações, mesmo antes de diversos países, inclusive dos EUA, com vários laboratórios que estavam produzindo / testando as mais diversas vacinas, cada uma em fases diferentes. Tínhamos que competir com o mundo inteiro, pois todos queriam vacinas. Daí vale o poder financeiro e o “poder de barganha”. Não adianta eu pagar mais do que os EUA, por exemplo, numa vacina, porque eles podem boicotar comercialmente o laboratório em seu país, e ninguém quer ser bloqueado pelos EUA.

A negociação que chegou mais perto de ser fechada foi a da Pfizer, mas as exigências desta empresa eram absurdas e elas só tinham vacinas para serem entregues, porque muitos países não aceitaram suas absurdas exigências contratuais, principalmente o item de isenção de responsabilidade sobre qualquer efeito colateral devido ou não à vacina.

Em paralelo o mundo corria atrás da Coronavac (chinesa), com muitas restrições, inclusive dos EUA e de Bolsonaro (pra mim falha de percepção comercial). A China é um de nossos maiores parceiros de exportação de nossos produtos e o laboratório que produzia a vacina era um dos mais conceituados no mundo… isso tinha que ter sido levado em consideração pelo Presidente. As outras eram negociadas mas não tinham previsão para a entrega, ou por valores absurdos ou porque tinham acordos com outros países que as obrigavam a atender em primeiro lugar àqueles com os quais mantinham relações comerciais fortes, depois… nós.

Entendam bem, não quero dizer que Pazuello era a pessoa certa no lugar certo, mas mesmo antes de ele ser indicado como interino, a mídia já gritava contra, por quê? Por ele ser um militar… estranho que algumas pessoas achem que militares são menos inteligentes ou capazes do que civis. Talvez um pouco do ranço da época da ditadura, mas perseguição política pura sim, com certeza.

Vale lembrar ainda que os dois primeiros ministros da Saúde nomeados por Bolsonaro foram dois médicos:

Mandetta, mais político do que ortopedista e que pretendia usar seu cargo como trampolim para uma possível candidatura ao governo de seu estado ou, como mostram algumas pesquisas, à presidência da República. Meteu os pés pelas mãos tentando agradar à mídia, desagradando sua própria equipe e diretrizes do governo. Ficou mais político do que devia e dançou…

Em seu lugar, foi nomeado o oncologista Nelson Teich, que ficou muito pouco tempo. Até por sua própria personalidade low profile, já dava pra perceber que não daria certo. Quando percebeu que seu posicionamento estava fugindo da linha estabelecida pelo Estado, pediu o boné e se mandou, por problemas pessoais, no meio de uma pandemia que àquela época já tinha matado muita gente. Acho até que ele agiu corretamente, mas o momento é que foi o problema. Poderia ter esperado mais um pouco, mas…

A nomeação de Pazuello para Ministro interino veio pra acalmar as coisas e, a partir daí, o Presidente e sua equipe procurariam um nome para o cargo, mas, na opinião de Bolsonaro, o interino estava trabalhando bem, negociando e seguindo a linha ditada pelo presidente.

A partir do momento que Bolsonaro percebeu que não poderia governar sem o apoio do Congresso e que não poderia estabelecer a Nova Política, uma de suas promessas de campanha, foi obrigado, para conseguir fazer as reformas necessárias, a ceder e passar a conversar com a Câmara para obter maioria e conseguir andar. Isto teve um preço: como sempre cargos e emendas parlamentares, e um dos cargos exigidos era exatamente o de Ministro da Saúde. Não havia como resistir se o seu objetivo era aprovar as reformas necessárias ao país, neste ponto até a mídia concordava com o presidente.

O convite (eu diria sondagem) da Dra Ludmila deu com os burros n’água porque Bolsonaro viu que estaria “dormindo com o inimigo”, já que suas atitudes pré-sondagem não a recomendava.A prova disso é que saiu atirando contra o Presidente, querendo posar de musa da oposição.

O presidente optou então por convidar outro médido, cardiologista, não um qualquer, mas o Presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, D. Marcelo Queiroga, indicado pelo Centrão, uma indicação política mas que tinha lastro com o presidente, afinal ele esteve com Bolsonaro em sua equipe de transição. Não era um desconhecido escolhido politicamente…

Só nos resta agora torcer para que Queiroga consiga consertar o que considerar errado, prosseguir com o que estiver certo e fazer o jogo correto com a mídia, para que esta não o massacre como fizeram com Pazuello.

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1 Comentário

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    Rute Abreu de Oliveira Silveira , 22 de março de 2021 @ 15:38

    Perfeito, Valtinho!!!
    Torcendo muito para que essa escolha, necessária, dê muito certo, para o bem do Brasil.
    Com o legado deixado pelo Pazuello, a proximidade com as premissas do presidente e o apoio de pessoas influentes, ele possa fazer um bom trabalho.
    Rute Silveira

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