22 de julho de 2024
Editorial

A ressaca eleitoral

Fiquei impressionado com o número de votos do descondenado no 1o turno: 57,2 milhões. É impressionante ver que 35% do povo brasileiro prefere um ex-presidiário-descondenado na presidência. Isso é a prova material de que o crime compensa!!!

Por outro lado, isso mostrou que 65% não o quer na presidência, já que não votou nele, não é? É uma simples conta matemática: 100 – 35 = 65.

É também a prova indiscutível de que o brasileiro vota no nome do candidato, não se importando com ideologia, com passado político e muito menos, aí mais gravemente, com a ficha criminal do candidato.

O povo elegeu para a Câmara, para o Senado e para as Assembleias Estaduais, maciçamente, o Brasil liberal conservador, mas o voto no descondenado para presidente desfaz tudo isso na prática.

Se olharmos o mapa geral das eleições, não dá pra entender uma região votar para governador, deputado federal e estadual em partidos de direita e, no entanto, votar no descondenado na mesma “cédula”. É ou não é incoerência? Pois foi o que aconteceu na minha querida Minas Gerais. Afonso Penna, Afonso Arinos, Gustavo Capanema, Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves e Itamar Franco devem estar se revirando nas respectivas tumbas de vergonha…

Salvo as Minas Gerais, apenas o nosso nordeste, deu vitória ao descondenado. Não vai aqui qualquer discriminação contra nosso irmãos nordestinos, longe disso. É apenas uma constatação: foi a única região que votou em massa no descondenado, como de hábito.

A “Cuba do Sul”, codinome criado, jocosamente creio eu, para justificar o desejo de que a esquerda voltasse ao poder, apenas quer mostrar o interesse dos eleitores daquela região. Não é discriminação e muito menos separatismo. O separatismo nunca foi uma causa no Brasil, salvo pelo Rio Grande do Sul e São Paulo, que, historicamente, já quiseram se separar do resto do país.

Não consigo entender a votação em massa do nordeste no descondenado. Eles só veem novela na TV? Não assistem a telejornais? Não ouvem rádio? Não leem jornais? Não acessam a internet? Só posso crer nisso, já que se eles tivessem acesso a qualquer uma destas “mídias”, jamais votariam do jeito que votaram, pois, se o fizessem, estariam adequadamente informados e não cometeriam este erro. Tudo o que foi feito pelo atual governo por eles não importou? O fim da seca com a conclusão da transposição do Rio São Francisco, ou com a construção de ferrovias pelo país, permitindo no futuro, integrar o país com transporte mais barato, sem falar no Auxílio Brasil com valor maior do que o dobro do antigo Bolsa Família. Óbvio que este último foi uma manobra eleitoreira, mas faz parte da regra do jogo. Reeleição dá espaço a isso.

Bem, voltemos à eleição.

Não há, até agora, como comprovar qualquer fraude em nosso sistema de votação eletrônica, nem tampouco quanto ao resultado das eleições no 1o turno, já que não temos prova suficiente para isso e, em nosso Estado de Direito, o ônus da prova cabe a quem acusa.

Lembram do velho ditado? “À mulher de Cesar não basta ser honesta, tem que parecer honesta”.

Pois é, não adianta o TSE dizer que as eleições são auditáveis. Se o eleitor não tem como comprovar que o voto que deu na urna foi computado corretamente no Boletim de Urna (BU), como podemos aceitar que elas são auditáveis? Não há como recontar os votos logo, temos que acreditar no todo-poderoso BU. Eu não acredito!!!

Não posso dizer que houve fraude, já que não tenho como prová-la, mas também “o TSE pode provar que NÃO houve”. Então ficamos assim. Sem o voto impresso para possibilitar a recontagem, permitindo a garantia de que os votos foram computados corretamente, temos que confiar nos “infalíveis”(?) Boletins de Urnas.

As filas foram absurdas. Para muitos, foi uma fila de espera de duas horas, em algumas seções, mais de 3 horas. Dei sorte, na minha seção, votei rapidinho, em 20 minutos, apesar do problema com a biometria. Tive que tentar 4 vezes, embora soubesse que não seria reconhecida minha biometria, daí tive que assinar, mas outras seções na mesma zona eleitoral estavam com filas quilométricas.

Às 20.30h ainda havia seções com eleitores na fila. Ok, estes eleitores, e nem mesmo aquelas seções, influiriam no resultado final do turno, mas ficou comprovado que o TSE foi incompetente na gestão da votação. A instrução para que o eleitor tentasse “por 4 vezes” identificar-se por sua digital, quando então optaria por assinar a folha de votação foi, no mínimo, infeliz.

Ora, por que tentar 4 vezes? Se a qualidade da resolução do leitor na captura da digital junto aos TRE’s e a dos leitores usados nas mesas das seções, não tinham a qualidade adequada para identificar o eleitor, o melhor seria voltar às assinaturas. Foi assim comigo e com muitos outros, só que depois de 4 tentativas.

Os “iluministros” – como os qualifica Caio Coppolla – do TSE não fizeram qualquer pedido de desculpas ao eleitor, ao contrário, eles preferiram ignorar e dizer que “…as eleições transcorreram conforme o previsto, dentro da ordem. Os problemas foram pontuais e não influenciaram no resultado…”.

Conforme o previsto?

Então as filas quilométricas foram previstas? A dificuldade dos leitores na biometria foi prevista? Por que então não tomamos conhecimento disso, para nos prepararmos, já que “as eleições são transparentes e auditáveis”?

Voltemos ao resultado:

Os 5 pontos de vantagem do descondenado sobre o PR representam, aproximadamente, 6 milhões de votos.

Ficou comprovado que as amostras dos “institutos” de pesquisas foram comprometidas a favor do descondenado. Elas superestimaram o eleitorado do descondenado, subestimando, consequentemente, o eleitorado do PR. Aliás, precisamos parar de nominá-los “institutos”. Eles são, na realidade, “empresas” e, como tal, visam o lucro. De que forma? Não sei…

A abstenção, embora maior do que a normal, deveu-se em muito às filas enormes. Muitos eleitores desistiram de votar diante das filas absurdas que encontraram, optando por justificar ou pagar a multa irrisória por não terem votado no 1o turno.

Na véspera da eleição os institutos divulgaram pesquisas “inventando” mais de 10milhões de votos para Lula e qualificando-o como ganhador em 1o turno… mas a realidade mostrou e espalhou a vertente esquerdista que contratou as pesquisas.

Eles alegam que foi o fenômeno do voto útil. Mas será que 10 milhões de votos foram de voto útil?

Para o 2o turno virão os apoios virtuais dos candidatos derrotados, raivosos, decepcionados, etc…, como Simone, Ciro e os demais que não merecem citação, salvo o Padre Kelmon, figura hilária que surgiu no último debate presidencial. Somente isso e nada mais que isso.

Ciro, ao contrário do que preconizou em todos os debates e entrevistas, resolveu apoiar o descondenado. É bem a cara dele. Esquerda? Nem tanto. Direita? Mais ou menos. Quase parecendo fazer parte do “morto” PSDB. Ele optou por dizer que “seguiu a orientação do partido”.Fica mais fácil assim. Já Simone Tebet, para não ficar incoerente com o seu discurso de campanha que procurou mostrar Bolsonaro como “inimigo das mulheres” irá apoiar Lula…

Temer, líder no MDB, ex-presidente e vice nos governos Dilma, conhecedor dos meandros internos do PT, declarou apoio a Bolsonaro, complicando a vida do MDB que optou por seguir a orientação de Simone Tebet. Como ficará isso?

Se houver a migração esperada pelo PT dos votos em Ciro, Simone e Soraya para o descondenado, ele estará eleito Presidente da República e voltarão todos os problemas que tivemos nos governos petistas, ou seja: a corrupção, o aparelhamento do estado, o acordão com o Legislativo (necessário para qualquer um) e a indicação de nomes especialmente determinados para os cargos influentes nas estatais, gerando “renda” para o PT, além das outras coisas que o PT inventou nos 14 anos de governo petista.

O povo ratificará, mais uma vez, que o crime compensa?

O PR conseguiu apoio importante dos governadores eleitos sob sua “tutela”, vamos chamar assim. Todos vão apoiá-lo no 2o turno. Será suficiente? Não sei. E daí? Game over?

Depende de você que se deu ao trabalho de ler este longo editorial e ainda tem dúvida no seu voto no 2o turno. Não deixe de votar!

No dia 30/10, pense bem no seu voto. Pense no que será melhor para o país na sua opinião. Na verdade o voto em 2o turno (que eu abomino) só serve para que “você vote no menos pior”…

O voto para a presidência é importante? Óbvio que sim, mas já vimos que o presidente não consegue governar se não tiver uma base sólida no Congresso Nacional (Câmara e Senado) e isso o PR conseguiu, pelos votos dados pelos eleitores. A maioria da Câmara e do Senado está com o PR.

Cada voto conta. Pense em qual será o seu papel na escolha do presidente.

O descondenado, comunista de carteirinha, conseguirá governar com o Congresso tendo a maioria de direita? Certamente não, salvo se fizer o que fizeram nos governos anteriores do PT, um novo Mensalão. Queremos isso de novo?

Vamos torcer para que não se repita!

Valter Bernat

Advogado, analista de TI e editor do site.

Advogado, analista de TI e editor do site.

1 Comentário

  • Rute+Abreu+de+Oliveira+Silveira 9 de outubro de 2022

    Perfeito, Valtinho.
    Gostei muito da sua análise clara, precisa e objetiva.
    Vai para o Facebook.
    ]Rute Silveira.

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