12 de agosto de 2022
Sylvia Belinky

Os jovens do Brasil de 2030


Como mediadora no fórum, encontro muitas jovens entre 12 e 15 anos com um filho recém-nascido nos braços. Seus pais também começaram a ter filhos cedo, sem que isso implicasse em ter responsabilidades, mas, sim, em “seguir vivendo”, comendo o que têm e esperando o que vem, vivendo de biscates, recebendo uns caraminguás de cada pai dos filhos tidos e…sobrevivendo.
Essa mãe, que acaba de se tornar avó aos 30 anos, já tem três outros filhos, cada um deles de um pai diferente. Sua filha de 13, portanto, está seguindo os moldes da mãe, cujo filho menor, aos 2 anos, já é “tio” do bebê da irmã. Serão criados todos juntos, filhos de pais que não têm o que transmitir…
Ela e sua mãe estão ali pleiteando que o pai de 15 anos dessa criança – portanto outra criança, que não trabalha e vai à escola de vez em quando – registre o filho em nome dele e entre com algum dinheiro para as fraldas ou qualquer outra necessidade.
O resultado de famílias formadas dessa maneira são pessoas sem valores porque não vivenciaram qualquer tipo de harmonia em casa e essa será, garantidamente, a maioria da população desta cidade – a mais abastada e importante da União – dentro de mais 10 ou 20 anos.
Esse quadro resulta na debandada de jovens que gostariam de estudar e ter um futuro, e que conseguem ir embora porque os pais têm como ajudá-los.
Esses pais cacifam essa ida porque, ainda que não queiram se separar de seus filhos, enxergam que pouco ou nada eles terão a ganhar por aqui. Entrar em uma faculdade cujo ensino está sucateado, enfrentar greves, professores insatisfeitos, etc…
Estudando fora, esses jovens encontrarão uma vida dura e muita dificuldade para “cavar seu lugar ao sol”. Vão viver a realidade de um “estrangeiro”; estarão sendo questionados o tempo todo, mostrando a que vieram. E, se não se mostrarem melhores do que os outros serão discriminados e até hostilizados, como intrusos incapazes, ocupando o lugar de um “nativo”…
A realidade de expatriados voluntários certamente é melhor do que a de refugiados como os milhares que se espalham pelo mundo, em especial porque, ao final de seu aperfeiçoamento, poderão voltar a seu país de origem, tentando dar sua colaboração para que este evolua.
Cabe aqui a pergunta: sendo esse país o Brasil, será que eles vão querer retornar?

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

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