O compromisso das 17h


Periodicamente, clamei e reclamei de estar sempre comentando as mesmas notícias, de estar  sentindo que, o que quer que acontecesse, e permaneceríamos reféns das mesmas interpretações sobre todas as coisas ou, trocando em miúdos, sobre todos os crimes, politicagens, roubalheiras e falcatruas tão atuais.
Entretanto, ainda que sem muita esperança, fiquei à espera do julgamento do habeas corpus do Lula, ouvindo a apreciação dos repórteres e comentaristas que, por vício e convicção, temos o hábito de ouvir.
Tantos interesses contrariados, tantas escusas esfarrapadas que, procurando não acreditar muito, mas não querendo desacreditar de vez para não parecermos completos idiotas, transformam nossos sentimentos e expectativas  em uma gangorra, ora lá em cima, ora cá embaixo…
A mídia divulga as considerações de Gilmar Mendes passeando por Portugal, o vira-casaca de sempre, desagradável e desabrido – para ele somos completos idiotas – dizendo que vem para o Brasil dar seu precioso voto, que é o que realmente tem peso. Definitivamente, acho que todos os ministros deveriam ser proibidos de dar entrevistas, de adiantar o que quer  que fosse de um julgamento: que guardem para si e só abram a boca na hora certa!
E eis que a pessoa mais discreta e seguidora dessa premissa anterior, só abrir a boca no momento certo, o faz e me reconcilia com o gênero humano: a digníssima ministra Rosa Weber dá seu voto e o justifica também como sendo a opinião do colegiado.
Ela ainda acredita na sabedoria desse punhado de criaturas que deve decidir a sorte de uma pessoa – e, por tabela, a vida de todos os brasileiros que dependem dessa Justiça e gostariam de poder acreditar nela.
E nosso ex-presidente tefal, aquele em quem nada cola, o homem mais honesto do Brasil, absolutamente inocente, anjo de candura vai preso, vai pra cadeia, ver o sol nascer quadrado, vai em cana em português castiço!
E eu, por agora, sinto que nem tudo está perdido: é possível acreditar na Justiça e volto a escrever sobre os temas espinhosos que nos rodeiam.
Não me sinto mais alienada!

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