6 de julho de 2022
Sylvia Belinky

Nada a me desculpar


A Catherine Deneuve foi devidamente “patrulhada” e desculpou-se por ter ido contra a corrente do “me too”, defendendo o fato de que galanteios também podem ser agradáveis às mulheres…
Cá pra nós, sou de opinião de que nem sempre será necessário o uso da Lei Maria da Penha se um homem fizer um galanteio ou se disser alguma impropriedade.  Estamos cercados de pessoas e fatos grosseiros que, ora vejam:  são até admirados por muita gente!
Claro que esta é minha opinião e, por isso, deverei ser execrada pelas feministas – um pouco menos do que o que aconteceu com a Catherine. Para sorte minha, sou menos famosa…
Continuo achando a mesma coisa que escrevi anteriormente: estamos ficando completamente artificiais e profundamente chatos com essa dupla mania: o “politicamente correto” e “as mulheres coitadinhas” barbarizadas pelos homens.
Tá certo que toda mulher tem que se proteger contra a volúpia e o mau gosto de marmanjos doentes que nelas se esfregam e ejaculam no seu ombro no ônibus.
Mas:
Assumindo que estamos em tempos de funk, que faz uso de palavras de baixo calão, leia-se, palavrões cabeludos e descreve cenas de sexo em suas “letras” tão inspiradas;
Tempos de ir para a balada e beijar o maior número de caras desconhecidos na boca e que só serão vistos novamente  se forem os escolhidos para uma “transa sem compromisso”;
Tempo de se requebrar com pouquíssima roupa e de ter o prazer de provocar sensualmente o sexo oposto numas de “olha com os olhos e lambe com a testa – faço o que eu quero e uso o que eu bem entendo”;
Tempo de “dar a cara a tapa” porque hoje não existe entre os jovens – e nem entre os nem tão jovens – a mínima  noção do que seja respeito, limite ou “desconfiômetro”;
Fazer como a Madona fazia há duas ou três décadas ou que a Anitta faz hoje, vai levar a maus resultados e, ninguém que siga essa cartilha poderá dizer que “eu não sabia, não pensei”;
Finalmente, as mulheres que buscam a igualdade com os homens estão cobertas de razão no que tange a salários iguais para o mesmo trabalho: a competência é igual senão maior.
Mas, não mijamos de pé na rua, e nem tomamos todas no bar: imaginar que vão passar por eles com pouca roupa e atitudes provocantes e que eles vão entender que “não é para abrir a boca e nem por a mão”…. Esse é um condicionamento por aqui que ainda vai levar tempo para ser introjetado… se for!

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

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