
Se juntar todos não soma um.
O futebol brasileiro da atualidade é o reflexo do Brasil:
Uma ilusão que a realidade derrete ao primeiro raio de sol.
É de certa forma comovente – tentando ser compassiva – ver a massa dos brasileiros se preparando para o momento que se repete a cada quatro anos em que ela tem a ilusão de que finalmente, poderá ter orgulho do país que habita, e mostrar ao mundo inteiro como somos bons, os maiorais na técnica futebolística.
Inaugurada a temporada de caça pelo título, o que vemos nas ruas e nas redes sociais são famílias paramentadas para o grande embate, crianças fantasiadas e pintadas de verde amarelo, homens e mulheres vestidos à caráter em volta de mesas regadas a comes e bebes, felizes, sorridentes, próximos do momento em que o mundo reconhecerá, enfim, como somos dignos de todos os aplausos e reverências por esse nosso futebol que deixa todos os demais comendo pó na estrada, nós, altaneiros à frente de todos os demais.
Nas redações e canais de TV, os comentaristas se aprontam, fazem planos, apostam nos gols que serão feitos, em estado de êxtase, microfones à mão, preparados para a batalha que vencida será.
A taça é nossa!
E, iniciado o primeiro jogo, a primeira luta dessa guerra esportiva, a sensação do banho de água fria se instala diante da dura realidade:
o que entra em campo não é a demonstração de talento único, excepcional, concedido somente aos brasileiros, essa gente tão festiva e dada a enganos diários, mas uma turma molenga, medíocre, sem brilho algum, decepcionante, fadado ao fracasso certo e merecido.
Outros jogos virão e como se diz, nada está perdido, mas é quase certo que nada também será ganho, por imerecido que o time se mostrou nessa primeira entrada em campo.
Nada como o choque da realidade para colocar as coisas no seu devido lugar.
Daqui em diante, seria de bom tom que o brasileiro minimamente lúcido entenda que pode ser que sim, pode ser que não.
Definitivamente, não somos os melhores em nada, muito menos em futebol, que já conheceu dias melhores.
E como poderia ser diferente?
Um país habitado por uma gente para quem o trabalho e educação não são prioridades, mas pronta desde o primeiro instante para tudo o que não interessa, que não produz nada que o eleve, despreocupado e descompromissado como só o brasileiro sabe ser, mas interessadíssimo em picanha, cerveja, futebol e carnaval.
Quem semeia vento, colhe tempestade.
O que enfrentamos na vida é resultado das nossas escolhas.
Somos insignificantes em nossos propósitos a respeito do país que desejamos, milhões de nós sentem-se à vontade em compactuar com governos que prometem há décadas o que jamais cumpriram, mantendo as massas deseducadas, incultas e mantidas à base de programas sociais que perpetuam sua miséria e seu erro crônico pela farra contumaz.
Havia o futebol para amainar nossa ancestral vergonha em sermos tão pouco.
Ao que parece, não existe mais.

