
Ah, a elegância das instituições brasileiras! Nada como um clássico do futebol para mostrar que a democracia está viva — ou pelo menos gesticulando.
O palco: a Neo Química Arena.
O enredo: Corinthians x Palmeiras, Copa do Brasil.
A trilha sonora: vaias estrondosas.
O protagonista: ninguém menos que Alexandre de Moraes, ministro do STF, aquele cargo de toga, compostura e… dedo em riste.
Durante o confronto entre Corinthians e Palmeiras pela Copa do Brasil, imagens da autoridade brasileira fazendo um gesto obsceno percorreram as redes sociais. Sim, o ministro foi flagrado dando o dedo do meio em um camarote do estádio. A cena viralizou de forma instantânea — e unânime — entre corintianos, palmeirenses, brasileiros e até estrangeiros. Porque, afinal, obscenidades com toga são um idioma global.
Não era um julgamento. Não havia petição ou embargos. Mas ali, no calor da arquibancada, o togado decidiu abandonar os códigos e recorrer à linguagem universal do… “vai tomar aqui”.
Afinal, se as vaias incomodam tanto, talvez fosse hora de refletir por que elas ocorrem — e não simplesmente revidar como um torcedor exaltado num clássico local. Ou será que o próximo passo é transformar as vaias em crime inafiançável, punível com censura e tornozeleira eletrônica?
O episódio é triste, mas simbólico. O gesto obsceno, feito em público e amplamente registrado, revela a fragilidade emocional de quem deveria ser imparcial, sereno e acima das paixões. No lugar do silêncio respeitoso ou de uma postura institucional, vimos a resposta típica de quem não aceita ser contestado: agressiva, impulsiva e, sobretudo, autoritária.
Se a Justiça é cega, parece que agora também é boca suja e temperamental.
E o povo? Ah, o povo segue no seu direito constitucional de vaiar — enquanto ainda lhe é permitido.
Só espero não receber a visita, indesejada, da Polícia Federal na minha porta às seis horas da manhã, com um mandado de prisão expedido pelo todo-poderoso Ministro 11 em 1.
Afinal, agora, nesse país, não precisa ser julgado para ser preso, ou ser obrigado a usar tornozeleira eletrônica.

