29 de outubro de 2026
Professor Taciano

Eleições 2026: o enigma intrigante dos números da votação do 2o turno, que merecem investigação

“A matemática não mente, mente quem faz mal uso dela” (Albert Einstein)

Os números apresentados em um vídeo sobre o segundo turno levantam questionamentos e reforçam a importância de uma análise matemática rigorosa dos resultados eleitorais.

As eleições presidenciais de 2026 terminaram, mas os números da votação continuam alimentando debates nas redes sociais. Um vídeo que circula na internet apresenta uma comparação entre os votos atribuídos a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), além de estabelecer uma relação entre o resultado eleitoral e a redução do número de abstenções entre o primeiro e o segundo turno.

A pergunta que fica é: o que os números efetivamente revelam e o que ainda precisa ser explicado?

A matemática por trás da votação

No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro obteve 56.104.503 votos, correspondentes a 47,03% dos votos
válidos. Lula, por sua vez, recebeu 53.879.538 votos, equivalentes a 45,16%.

No segundo turno, em 25 de outubro, os números foram diferentes: Lula alcançou 64.256.232 votos, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041.

A diferença final foi de 4.430.191 votos a favor de Lula, conforme os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O aspecto matematicamente relevante está na evolução das votações entre os dois turnos.

Flávio Bolsonaro acrescentou 3.721.538 votos ao seu resultado do primeiro turno. Lula, por sua vez, ampliou sua votação em 10.376.694 votos.

São variações expressivas que merecem ser compreendidas à luz da dinâmica eleitoral, da transferência de preferências e da
participação dos eleitores.

A questão das abstenções

Outro ponto destacado no vídeo é a redução do número de eleitores que deixaram de comparecer às urnas. No primeiro turno, as abstenções chegaram a aproximadamente 33,47 milhões de eleitores. No segundo, caíram para cerca de 30,51 milhões, uma redução de aproximadamente 2,96 milhões de ausências.

Esse dado é relevante. Significa que houve aumento do comparecimento eleitoral no segundo turno, o que ampliou o universo
de eleitores que efetivamente participaram da decisão final.

Entretanto, existe uma questão fundamental: a redução das abstenções não permite determinar em quem votaram os eleitores que compareceram no segundo turno. O voto é secreto, e os dados agregados não identificam a escolha individual de cada cidadão.

Portanto, relacionar diretamente a diminuição das abstenções ao crescimento da votação de um candidato, sem outras evidências, seria ultrapassar os limites da análise matemática.

Para onde foram os votos dos demais candidatos?

No primeiro turno, os candidatos que não chegaram à etapa final somaram aproximadamente 9,32 milhões de votos.

No segundo turno, esses eleitores tiveram diferentes possibilidades: escolher Lula, optar por Flávio Bolsonaro, votar em branco, anular o voto ou não comparecer às urnas.

Além disso, o comparecimento aumentou e os votos brancos e nulos diminuíram. Esses fatores ajudam a compreender como os dois finalistas ampliaram suas votações.

A soma dos votos adicionais recebidos pelos candidatos, aproximadamente 14,10 milhões, corresponde ao saldo combinado
de três mudanças: os votos dos candidatos eliminados que deixaram de aparecer na disputa, o aumento do comparecimento e a redução dos votos brancos e nulos.

É importante esclarecer que essa correspondência é uma identidade contábil entre totais agregados, não um rastreamento individual dos votos.

Questionar não é acusar: é exigir rigor

O vídeo desperta curiosidade ao colocar os números lado a lado e sugerir que determinadas diferenças merecem atenção. Esse tipo de comparação pode contribuir para o debate público, desde que seja acompanhado de dados verificáveis, cálculos corretos e interpretação responsável.

Uma diferença numérica pode levantar uma pergunta, mas não constitui, isoladamente, prova de irregularidade. Para sustentar uma suspeita de fraude eleitoral, seria necessário apresentar evidências concretas, como inconsistências documentadas nos registros oficiais, divergências verificáveis na totalização ou falhas comprovadas nos procedimentos de votação e apuração.

A análise precisa considerar os resultados oficiais, o eleitorado apto, o comparecimento, as abstenções, os votos válidos, os votos brancos e nulos e a distribuição dos resultados por município e seção
eleitoral.

Também é essencial distinguir coincidências matemáticas de relações causais. Dois números podem variar simultaneamente sem
que um seja necessariamente a causa do outro.

O enigma está nos números ou na interpretação?

A matemática eleitoral não deve ser utilizada apenas para confirmar convicções políticas. Ela precisa servir para testar hipóteses, identificar inconsistências reais e separar fatos comprovados de interpretações.

O resultado das urnas pode e deve ser examinado. A transparência é indispensável à democracia, assim como o respeito aos dados oficiais e às evidências.

O questionamento legítimo começa quando alguém identifica uma diferença e procura compreender sua origem. A conclusão
responsável, porém, só pode vir depois da verificação dos dados.

Em eleições, os números não devem ser tratados como verdades inexplicáveis nem como provas automáticas de irregularidade. Devem ser analisados, comparados e conferidos.

O verdadeiro desafio é transformar a curiosidade despertada pelos números em investigação objetiva, sem confundir suspeitas com fatos comprovados.

Porque, no fim das contas, a matemática não tem lado político: ela exige coerência, método e evidências.

Professor Taciano Medrado

Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade do Estado da Bahia (1987)-UNEB e graduação em bacharelado em administração de empresa - FACAPE pela FACULDADE DE CIÊNCIAS APLICADAS DE PETROLINA (1985). Pós-Graduado em PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL. Licenciatura em Matemática pela UNIVASF - Universidade Federal do São Francisco . Atualmente é proprietário e redator - chefe do blog o ProfessorTM

Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade do Estado da Bahia (1987)-UNEB e graduação em bacharelado em administração de empresa - FACAPE pela FACULDADE DE CIÊNCIAS APLICADAS DE PETROLINA (1985). Pós-Graduado em PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL. Licenciatura em Matemática pela UNIVASF - Universidade Federal do São Francisco . Atualmente é proprietário e redator - chefe do blog o ProfessorTM

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