
Gilmar Mendes chega ao STF e é imediatamente recebido pelos colegas ao coro de “Tá namorando! Tá namorando! Tá namorando!”. A sortuda da vez é Morgana de Almeida, ministra do TST e ex-cunhada do Beto Richa. Aquele. Aliás, aqui cabe uma informação que alguns vão dizer que é curiosa, outros que é revoltante: em 2018, Gilmar Mendes mandou soltar o ex-marido de Morgana, Pepe Richa, preso numa das fases da Operação Lava Jato por envolvimento em irregularidades que teriam causado prejuízos de R$55 milhões aos cofres públicos.
Morgana e Gilmar. Gilmar e Morgana. Quem sou eu para julgar os descaminhos do coração, esse órgão maluquinho e que tem razões que a própria razão desconhece? Mas a união tardia entre os dois me faz pensar. Que cada panela tem sua tampa, como já dizia a vovó Olívia. Que até Gilmar Mendes está namorando e você aí, ó. Que, na intimidade do lar, o todo-poderoso, todo-arrogante e todo-repugnante ministro talvez chame Morgana de “môzão”, que lhe devolve um cafona “meu benzinho”, que por sua vez vira “minha teteia” para cá, “meu chuchuzinho” para lá… Aí já viu.
As togas combinandinho
Confessemos: há algo de profundamente incômodo em ver Gilmar Mendes de mãos dadas com a doutora Morgana. Mais por ele do que por ela, coitada. Há algo de profundamente incômodo em supor que o ministro seja feliz. É algo que avilta nosso senso de justiça mais profundo, que dá náusea, que põe em xeque todo um sistema de crenças e valores, que nos faz duvidar até mesmo do valor da nossa honestidade. Afinal, se ele faz o que faz e não para de fazer, e caminha sobre a terra feito um rei, ostentando dinheiro, poder, influência e agora amor, por que me darei ao trabalho de tentar agir com retidão? Resposta no próximo parágrafo.
Porque é o certo, ué! Eu sei, você sabe. Acontece que de vez em quando confundimos esses sinais externos de “felicidade” com a Felicidade de fato. A mesma coisa acontece com o sucesso – escrevi sobre isso há alguns dias. E acontece também com o amor que talvez seja Amor, embora a chance seja bem pequena. Com todo o respeito. O Amor que confundimos com a luxúria, termo que associamos imediatamente ao sexo, mas que também se refere à paixão por bens materiais, luxo ou sensações. E lá vêm os pombinhos de mãos dadas. As togas combinandinho. Ohhhhhh! Que cuticuti.
Fonte: Gazeta do Povo

