Um desabafo por um desabafo


Alguém tinha que traduzir o desabafo que dona Magaly, mãe de Sergio Cabral, fez publicamente domingo: Bora lá:
“meu filho não é um bandido perigoso”. Não mesmo, ele matou devagar, devagarinho, como diria Martinho, o da Vila. Matou aposentados que ficaram sem salário e portanto sem remédio, sem comida e muitos, sem casa. Morreram de tristeza. Deixou 134 famílias de policiais órfãs. De pai, de marido, de filho, de irmão. Humilhou servidores públicos quando os colocou numa fila em busca de cestas básicas. Matou quem estava nos corredores de hospitais esperando remédios. Dona Magaly, a condições daquelas pessoas é muito mais indigna do que as algemas do seu filho. Mais degradante e humilhante.
“Não estou dizendo que não cometeu erros, mas ontem foi um exagero”. Dona Magaly quis dizer que pessoas como ele, seu filho, erram, não cometem crimes. Ela acredita que a lei é para todos, mas alguns, como seu filho, acham que estão acima dela — a lei — porque são predestinados. dona Magaly, não foram erros, foram crimes mesmo, viu?
E por fim ela ordenou: “que a justiça vá resolver o que se passa com bandidos que da cadeia dão ordens de matar, invadir etc”, e o colunista Ancelmo Goes, concordando, diz: “faz sentido”. Alguém avisa dona Magaly que foi exatamente o que a justiça fez com seu filhinho. Bandido, sim, criminoso, sim.
Lamento, dona Magaly e Ancelmo Goes, que nenhuma palavra foi publicada pela senhora contestando a vida nababesca que ele lhe proporcionava, muito além do que ele ganhava como governador. Lamento que a senhora tenha concordado, porque não a vi, não li nada seu a respeito de solidariedade ao povo que ele destruiu.
Entendo seu coração de mãe. Mas, por favor, viva sua dor em recolhimento, como recolhida estava enquanto seu filho roubava e massacrava o RJ criminosamente.

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