3 de março de 2024
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Os vendilhões do templo

Não tenho lido nos jornais online brasileiros, parece que a notícia ainda não repercutiu por aí. Mas, aqui em Portugal, a Igreja Universal do Reino de Deus, da qual o nosso prefake é um dos apóstolos, está sendo acusada de roubo e comercialização de crianças. Em diversas cidades, as manifestações nas ruas contra a IURD ganham força.

É complicado criticar a fé alheia. De maneira geral, esforço-me para respeitar a crença de todos. Mas a IURD desafia a minha boa vontade. Os vídeos do pastores pedindo – na verdade, arrancando – dinheiro de pessoas carentes, jurando que Deus entregará uma Ferrari vermelha para quem doar para a igreja o carrinho conquistado em sei lá quantas prestações, são difíceis de engolir.
Suponho que desde que Jesus expulsou os vendilhões do templo, episódio narrado nos quatro evangelhos canônicos – no de João, por exemplo, está no capítulo dois, versículos 14/17 – os comerciantes da fé não andavam tão exaltados. Há um vídeo rolando no Facebook em que o papa da IURD, o sr. Macedo, em tom agressivo, alerta que “agora é tudo ou nada, com Deus ou é ou não é”, enquanto conclama o seu rebanho a depositar a “vida” no altar. Resumindo, para aumentar a prosperidade da IURD e de seus pastores, os fiéis precisam doar o que têm. Depois é só sentar e esperar, pois Deus devolverá em dobro. Funciona assim, senhoras e senhores de pouca fé: o crente doa a IURD uma quitinete caindo aos pedaços no interiorzão do Amapá e, na manhã seguinte, por intercessão do céu, acorda proprietário de uma cobertura na Avenida Vieira Souto, Ipanema, RJ. Impossível perder esse negócio da China…
Gostaria de poder expulsar dos templos os modernos vendilhões. Gostaria, mas não posso. Mas Portugal está prestes a realizar tal proeza.
Igual ao gangster norte-americano Al Capone, que pintou e bordou, mas só foi preso por sonegação de imposto de renda, os portugueses pegaram peixes graúdos da IURD realizando tráfico de crianças. Acompanho as notícias pela televisão portuguesa e o que aqui relato, assisti pessoalmente. Correm também alguns boatos sinistros. Estes, não repercutirei enquanto não os ler ou ver divulgados nos mídia lusos.
Espero que os jornais e revistas brasileiros acordem. Acho que vale a pena relermos João que, relatando a furia divina ao expulsar os comerciantes do templo, colocou os pingos nos is: “não façais da casa de meu Pai uma casa de negócios”.

O Boletim

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