Temer conseguiu gerar briga entre os barões da mídia brasileira

Foto: Arquivo Google

Se há algo nunca visto e que Michel Temer conseguiu foi gerar briga entre os barões da mídia brasileira. Mídia, nesse caso, entendida como os grandes veículos de imprensa nacionais, os chamados de PIG, partido da imprensa golpista, pelos partidários de Lula. Até a cobertura da delação da Odebrecht, a grande imprensa vinha se comportando, historicamente, de modo muito parecido. Não era segredo para ninguém que todos eles apoiavam a queda de Dilma Rousseff, mesmo que a linha editorial de cada um variasse um tom abaixo ou acima.
No conjunto, todos iam na mesma cadência: Dilma precisava sair em nome do bem do país. Na cobertura do impeachment, era isso o que ficava evidente até para os menos críticos. O grupo Globo – que abrange, para efeitos de apoio ou oposição a quem está no poder, TV Globo, GloboNews, portal G1, jornal O Globo e revista Época -, Veja, Folha de S. Paulo, Uol, Estadão e Band estavam afinados na mesma toada tanto quanto à saída de Dilma quanto à idolatria a Aécio Neves.
A Record, por manter uma eterna briga de foice com a Globo, e por ter poderosos tentáculos políticos no Congresso, nos estados e nos municípios, graças ao poder de voto da Igreja Universal, passou por outros caminhos como veículo de imprensa no apoio ao impeachment. Ela não se comporta apenas como emissora. Reflete, na cobertura política de seus telejornais e do portal, o R7, a mistura entre religião e política partidária, pois tem no Congresso uma imensa bancada. A Record apoia ou condena usando, simultaneamente, seu jornalismo e seus votos no Congresso, os da bancada do bispo.
Com a entrada de Joesley Batista em cena, a delação da Odebrecht ficou amarelada e flácida. A grande imprensa já aportou na cobertura da delação Friboi com brigas inéditas e explícitas entre si, coisa raríssima nesse meio. Foi um jornalista de O Globo, Lauro Jardim, quem deu o furo da conversa com Temer gravada por Joesley, o maior financiador de campanhas eleitorais do país. Todos os veículos foram atrás e deram a notícia, mas só o Globo anunciou “o fim do Governo Temer”. O pega pega entre os veículos começou quando o áudio foi liberado pela Procuradoria.
A Folha, que inicialmente corroborou o furo do Globo e publicou que ela própria havia confirmado a compra do silêncio de Eduardo Cunha pelo dono da Friboi, por orientação de Temer, voltou atrás e contratou um perito particular. Em seguida, anunciou que a gravação era praticamente embuste editado. O grupo Globo se ofendeu e a partir daí começaram a chamar-se publicamente de mentirosos. O Jornal Nacional disse: “a Folha mente”. Nas páginas do próprio jornal travou-se uma briga de titãs. Ali Kamel, o poderoso do jornalismo global, após ler na Folha a frase “precisamos falar sobre a Globo” e outras coisas, chamou o jornal paulistano, em um direito de resposta publicado nas próprias páginas, daquilo que mais o ofende: Falha de S. Paulo.
O Estadão também desacreditou O Globo após o acesso aos áudios e manteve apoio a Temer. A Band, em editorial que levou Ricardo Boechat ao linchamento virtual, anunciou que estava com Temer. A Veja, mesmo correndo por fora da briga, passou a colocar Temer e Aécio, até então uns queridos, na mesma canoa furada das almas sebosas onde sempre transportou Lula, embaralhando a cabeça do seu leitor típico.
No fim de semana, o grupo Globo provocou mais uma hecatombe ao dar 12 páginas da revista Época para uma entrevista exclusiva com Joesley Batista. De novo, novo mesmo, não há nada, mas a enxurrada de declarações e detalhes foi um duto de gasolina sobre um Temer já em chamas. A entrevista funcionou como uma estratégia do grupo para ressaltar com cores berrantes o que Ba tista já havia dito na deleção, com direito a adjetivações como “chefe da quadrilha mais poderosa do Brasil”.
A TV Globo, e sua versão elitizada, a GloboNews, deram à entrevista um espaço de apocalipse, o que só reforça um questionamento que vem martelando a cabeça de milhões de telespectadores: que diabos aconteceu para, de uma hora para a outra, o tratamento dado pela Globo a Temer ser o mesmo dado pela esquerda brasileira que a chamavam de golpista por apoiá-lo? A cobertura da agonia de Temer na emissora deve estar levando Lula e Dilma, com um saco de pipoca, para a frente da TV durante o Jornal Nacional.

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