21 de maio de 2022
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Sobre o inacreditável Crivella

Quem é Marcelo Crivella? O que faz? Onde mora? De que se se alimenta?
Ofereço esta pauta para programa de televisão. O prefeito do Rio de Janeiro é tão zero à esquerda, tão espantosamente abstrato e invisível, que começo a desconfiar que ele não existe. É um ectoplasma, um holograma. Algo que é sem nunca ter sido. Como a primeira versão da novela Roque Santeiro. Aplausos para a turma da terceira-idade, só ela entenderá a citação.

Li uma entrevista do Crivella ontem. Que tristeza, meu Deus. Até a entrevista é entrevistinha, tudo assim no diminutivo: chatinho, mediocrezinho, ausentezinho, bobinho. Um problemão para nós, cariocas, que herdamos do Paes uma cidade falida e caindo aos pedaços e precisamos encarar esse senhor omisso.
Não que eu quisesse o Freixo, Deus me livre. O carma da muy bela São Sebastião era pesado: se corresse, o bicho pegava; se ficasse, o bicho comia. Não sei se ficamos ou corremos, a verdade é que nos estrepamos.
Voltando à entrevista. A sombra de prefeito defendeu a indicação do filho para a Casa Civil com a alegação que, quem quer roubar, não nomeia o Júnior para cargo de confiança.  Uauuuu, que novidade extraordinária. Agora sabemos que, com o testemunho de um filhote, é impossível surrupiar os cofres públicos. Será mesmo? Não é o que nos ensina a contemporaneidade brasileira, na qual as famílias que roubam unidas, permanecem unidas. Não estou acusando o novo (?) prefeito (?) de más intenções, nunca faria isso. Mas ele poderia ter arranjado um argumento melhor para empregar o herdeiro.
Claro, houve espaço para a lenga-lenga de blindar as escolas com os auspícios da bandidagem, que adora a ideia de ter uma construção fortificada fornecida pelo Estado. Assim que a blindagem ficar pronta, as crianças sairão e o crime organizado entrará. Alguém duvida?
E rolou um papo de déficit nas contas, coisa de quatro bilhões, de isenção de cobrança de IPTU e coisa e tal. Nada de novo, nada de concreto, nada de útil. Uma perda de tempo, a tal entrevistinha.
Que aliás, termina com uma declaração de fé. O estado é laico, mas não ateu, declarou o nosso prefeito (?) ou projeto de. Crivella anunciou-se um homem de fé, de muita fé.
De pouca fé é um bule.
Surreal.

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